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Os mais famosos compositores da linha do tempo

Papel do Maestro, O

Última modificação : Terça, 19 Julho 2016 15:01



Diferentemente da literatura ou da pintura, onde o suporte já está pronto logo que o autor termina a obra para a apreciação pública, a música precisa, assim como o teatro, de uma fase intermediária, que transforma o papel escrito – no caso, a partitura – em ação estética. No teatro, existe a facilidade de ser feito num código que a maioria domina – a língua. Já a música não partilha deste privilégio, uma vez que pouquíssimos conhecem realmente a linguagem musical escrita, e ela só pode ser apreciada através da produção sonora. Portanto, existe uma ponte entre a partitura e o que soa. Considerando esse abismo, não temos outra saída senão ouvirmos uma obra segundo a interpretação de um músico, a daí a sua importância na representação da obra. O intérprete tem um papel fundamental no plano de expressão da obra, pois a ele cabe traduzir um emaranhado de signos musicais escritos em sons audíveis e coerentes. 

 

O PAPEL DO MAESTRO 

Para que um grande contingente instrumental siga rigorosamente o tempo rítmico, a dinâmica e o andamento indicado na partitura pelo compositor, é necessário um líder que mantenha a ordem da orquestra, pois do contrário, seria fácil cada músico perder a marcação do tempo em relação aos outros. Aqui entra a figura do maestro como gerenciador do sistema musical. A figura do maestro, tal como conhecemos hoje, nasceu da necessidade de especializar um músico para providenciar o equilíbrio da massa orquestral que o romantismo desencadeou. Antes, nos períodos renascentista, clássico e barroco, não existia propriamente a figura do maestro. Como os conjuntos instrumentais eram pequenos, o equilíbrio se fazia por concordância de todos e era raro a perda do tempo. Em obras mais consistentes, timbrísticamente falando, como as sinfonias clássicas, quem coordenava era o músico mais visível: o primeiro violinista (ou spalla), algum instrumentista de sopro ou o cravista, que posteriormente foi substituído pelo pianista. 

 

Nas óperas, onde havia o acréscimo do contingente vocal, a marcação do tempo era feita pelo Kapellmeister (mestre-capela), pelo Konzertmeister (violinista principal, ou spalla) ou ainda pelo cravista.

 

No século XV, o tempo era marcado com um rolo de partituras. No século XVII, a moda era marcar o tempo batendo com uma pesada vara no chão. O compositor italiano Jean-Baptiste Lully (1632-1687) feriu-se numa dessas batidas vindo a morrer logo em seguida de gangrena. A moderna batuta (do italiano battuta, “batida” ou “compasso”), segundo se sabe, originou-se na Alemanha no século XVIII (sabe-se, inclusive, que Beethoven tinha uma), mas seu uso só se tornou corrente por volta de 1820. Consta que Carl Maria von Weber (pianista e compositor alemão, 1786-1826) foi o primeiro a utilizar uma batuta e o maestro e compositor alemão Louis Spohr (1784-1859) aperfeiçoou seu uso. A partir dele, praticamente todos os maestros adotaram a batuta. A era clássica terminou justamente neste entroncamento de tendências, e a romântica desenvolveu a arte da regência até patamares nunca antes imaginados, assim como as extravagâncias orquestrais do romantismo. A partir do romantismo, o maestro passou a ser um músico independente, um especialista num determinado tipo de função musical – a de líder estético e burocrático de uma orquestra, não só pelo aumento progressivo de seu tamanho – o que demandou uma especialização imediata – mas também pela subjetividade crescente com que as novas obras musicais eram compostas.

 

Para a música erudita, nosso século foi a era do intérprete, em oposição ao século XIX que foi a era do compositor. Entre os grandes maestros do século passado, citam-se: Mendelssohn, Berlioz, Mahler, Richard Strauss. O próprio Berlioz, ao dar as diretrizes de como o maestro deveria se preparar intelectual e tecnicamente para cumprir bem sua função, coloca tamanha responsabilidade sobre os ombros do maestro que essa profissão passou realmente a ser tratada com muito maior afinco. Se hoje não temos grandes compositores clássicos, temos, pelo menos, as mais variadas leituras dos antigos. A função do maestro é, basicamente, marcar o ritmo certo e equilibrar as dinâmicas indicadas, mas seu potencial expressivo é o que dá a uma determinada interpretação uma certa singularidade, podendo, muitas vezes, o ouvinte preferir ouvir uma obra sob a direção de um determinado maestro. 


 

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Vídeo:

 

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Fonte: 

Acervo pessoal de pesquisa