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Os mais famosos compositores da linha do tempo

MUSSORGSKY, MODEST PETROVITCH (1839-1881)

Última modificação : Sexta, 07 Fevereiro 2014 16:59


RUSSO – ESCOLAS NACIONAIS – RUSSA – c.50 OBRAS


Compositor ativo e de grande talento, Mussorgsky foi também um alcoólatra incurável, que teve uma vida desordenada e breve. Como membro do círculo de Balakirev, tentou compor obras musicais em maior consonância com o povo russo. Contudo, vários de seus trabalhos ficaram inacabados ou foram concluídos por amigos bem-intencionados mas de uma maneira que pode não refletir os objetivos do compositor.

 

Vida.  Compositor russo, Modest Petrovitch Mussorgsky nasceu em Karevo, Pskow, a 21 de março de 1839 e morreu em São Petersburgo a 28 de março de 1881. Filho de rico proprietário, entrou para a escola de cadetes em São Petersburgo. Posteriormente, no regimento de Preobrajenski, conheceu Balakirev, com quem fez os primeiros estudos de técnica musical.

 

Mussorgski sofreu graves crises nervosas em 1858 e em 1860. A ruína da família obrigou-o a entrar para o serviço público em 1863, sendo demitido em 1867. Sua obra musical era aceita com dificuldades. A sua ópera Boris Godunov só foi encenada, em 1874, graças à intervenção de uma cantora célebre. Sua vida, entretanto, tornou-se cada vez mais difícil, pois o compositor, além de não ter recursos materiais suficientes, era dipsômano. Apesar de readmitido, foi novamente obrigado a deixar o serviço público em 1880. Embora parecesse ter-se recuperado durante algum tempo, morreu de excessos alcoólicos, recolhido ao hospital militar de São Petersburgo.

 

Caracterização.  Mussorgsky é geralmente colocado, por convenção dos historiadores, no famoso Grupo dos Cinco, de compositores nacionalistas, que inclui Dargomichki, Cesar Cui, Balakirev e Borodin. Mas foi o próprio Mussorgsky que declarou, em notas autobiográficas, não pertencer a nenhum dos grupos musicais em voga no seu tempo, “nem pelas suas idéias musicais nem pelo caráter de sua arte”. Mussorgsky acreditava ser a arte um meio de comunicação com os outros homens e não uma finalidade em si mesma. Isso talvez explique o caráter rude de sua técnica, de tal modo que seus companheiros de grupo chegaram a considerá-lo uma mente débil. Mussorgsky considerava, entretanto, que só os artistas reformadores criaram as leis da arte, e que essas leis não são imutáveis. Ignorando as regras acadêmicas, a obra de Mussorgsky é a mais original da arte musical russa no séc. XIX.

 

Foram provavelmente as excentricidades harmônicas, que feriram os ouvidos dos seus colegas e também o motivo da atração de Debussy pela música de Mussorgsky. Nesta, a harmonia é utilizada como um instrumento de expressão dramática, pois Mussorgsky foi antes de tudo um compositor dramático, inclusive em seus Lieder e em suas composições instrumentais, em que a descrição programática é simples pretexto.

 

Obras. Suas obras iniciais são canções líricas e composições instrumentais de inspiração romântica, que revelam as influências de Glinka, Balakirev, Schumann e Liszt. A linguagem é ainda convencional. Mas em uma série de canções, entre 1866 e 1868, já se nota uma evolução. Ao invés de melodias líricas, essas canções são representações da fala humana, captando, com realismo perfeito, modos característicos de falar de personagens populares. Da mesma época é Notch na lisoj gore (1867; Uma noite no monte Calvo), poema sinfônico que ultrapassa o caráter descritivo do gênero para se transformar num estudo orquestral de grande fascínio.

 

Mussorgsky tentou várias vezes a ópera, deixando vários projetos em esboço e inacabados. A única realmente terminada é também a sua maior obra e a ópera nacional russa: Boris Godunov, de que o autor fez duas versões, a primeira de 1869-1870, e a segunda de 1870-1871, realizada devido a recusa do teatro imperial de São Petersburgo de encenar a primeira versão. A segunda causou ainda controvérsias e, após nova encenação mutilada em 1878, a obra desapareceu do repertório. Boris Godunov, cujo enredo é tirado da tragédia homônima de Puchkin, é uma obra de síntese, lírica e naturalista ao mesmo tempo, utilizando elementos tão diversos como a harmonia sacra eslava e o ritmo falado das canções. Os coros e os personagens populares desempenham papel de primeira importância. A ópera é uma obra-prima de realismo popular.

 

Além de Boris Godunov, outra ópera merece citação, Khovantchina (1872-1881), que ficou inacabada. Mas, ao invés da síntese que se observa na primeira, em Khovantchina predominam os motivos líricos sobre o realismo. E a obra vale mais pelas suas partes líricas do que pelo poder dramático. Além das óperas deixou importantes ciclos de canções: Dietzkaia (1868-1872; O Quarto das crianças), Biez sonntse (1874; Sem sol) e, sobretudo, Pessni y tantsi smierty (1875-1877; Cantos e danças da morte). Essa última é composta de quatro Lieders que estão entre as obras mais perfeitas de Mussorgsky. Utilizando os modos da música sacra eslava o compositor conferiu às canções um sabor arcaico e severo, de certo exotismo para os ouvidos ocidentais.

 

Embora tenha sido compositor eminentemente dramático, Mussorgsky realizou com Kartiny Vystavky (1874; Quadros de uma exposição) uma obra prima de sugestão poética. São peças breves para piano, inspiradas por uma exposição de desenhos, de Viktor Hartmann. A obra sintetiza elementos poéticos, realísticos e humorísticos e se destaca pela originalidade de suas melodias.

 

Destino de Mussorgsky. A obra de Mussorgsky teve de atravessar muitas barreiras para ser reconhecida em toda a sua originalidade. Entre elas está o que os seus contemporâneos julgaram ser a sua inexperiência técnica. A ópera Boris Godunov foi ‘corrigida’ e adaptada numa versão de 1896 por Rimski-Korsakov, e foi através dessa versão que conquistou o Ocidente. Outra versão célebre de uma obra de Mussorgsky é a orquestração de Ravel para “Tableaux d’une exposition” (Quadros de uma exposição), que é uma homenagem à influência de Mussorgsky, que ficou conhecido pelo que não é dele.

 

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional