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Os mais famosos compositores da linha do tempo

BACH, JOHANN SEBASTIAN (1685-1750)

Última modificação : Quarta, 08 Outubro 2014 18:07



ALEMÃO – ERA BARROCA – 972 OBRAS


 

Enquanto vivo, Johann Sebastian Bach foi mais conhecido como organista, tendo sido eclipsado como compositor por seus filhos. No final do século XVIII, contudo, sua obra musical para teclado coral e vocal e peças instrumentais - ambas sacras e seculares - foram redescobertas por uma plateia nova e mais sensível, admiradora de sua qualidade e espírito únicos. Desde então seu renome não parou de crescer.

 

Vida. Conforme o consenso geral, o maior compositor de todos os tempos. Nasceu em Eisenach, em 21 de março de 1685, e morreu em Leipzig, em 28 de julho de 1750. Órfão, foi educado por um tio, tornando-se violinista e organista. Nessa última função serviu na igreja de Arnstadt, onde sua maneira pessoal de tocar o órgão provocou conflitos com as autoridades eclesiásticas. Em 1707 foi organista em Mühlhausen, Turíngia, e em 1708, organista da corte em Weimar, onde inicia a série de suas obras de música sacra. Em 1717 foi diretor da música do príncipe de Cöthen; nesse ducado, a religião calvinista não admite música de arte na igreja e Bach dedica-se principalmente à composição de música instrumental.

 

Depois da morte do príncipe, ganha em 1723 o posto de Kantor (isto é, diretor de música da universidade) da igreja de St. Thomas em Leipzig, onde leva vida de alto prestígio social, embora amargurada por preocupações financeiras e frequentes conflitos com o conselho da cidade. Alcança grande fama de virtuose no órgão, ao passo que as composições do mestre não se tornam conhecidas fora de Leipzig. Viaja para Dresden e em 1747 para Potsdam, onde o rei Frederico, o Grande lhe admira as artes no órgão e no piano.

 

Personalidade. A vida de Bach passou-se em ambientes modestos e sem maiores contatos com o mundo exterior. Quase nada se sabe de sua personalidade; devoção luterana que combina com apreço aos prazeres deste mundo: bom pai de família (14 filhos, de dois casamentos); funcionário pontual, mas homem irascível, sempre brigando com seus superiores; homem culto, mas inteiramente dedicado à sua enorme produção de obras, que só foram escritas para uso funcional ou para exercícios de música em casa.

 

A psicologia desse grande artista fica-nos fechada e não é possível verificar a evolução de sua arte, que começa e termina com obras-primas em vários estilos, escolhidos pelo mestre conforme necessidades exteriores. Em todo caso, Bach não é um devoto permanentemente ajoelhado e nem um artífice de fugas, mas cultivou todos os gêneros (à exceção da ópera) com a mesma mestria.

 

Motetos. A primeira faceta de sua arte é arcaica, a de um misticismo gótico, que se manifesta em motetos à cappella, sem acompanhamento orquestral. Bach cultivou pouco esse gênero, já inteiramente obsoleto em seu tempo. Mas são obras-primas os motetos Jesu, meine Freud (1723; Jesus, minha alegria) e Singet dem Herrn ein neues Lied (1730; cantai um novo cântico ao Senhor).

 

Órgão. Em primeira linha é Bach um compositor barroco, isto é, sua arte musical enche espaços imaginários. O instrumento ideal para tanto é o órgão, e realmente Bach é maior organista de todos os tempos; suas obras para esse instrumento bastam para formar o repertório inteiro hoje em uso.

 

As seis sonatas para órgão são a melhor obra didática em existência, mas cada uma delas é artisticamente perfeita. É muito popular a Tocata e Fuga em ré menor (1708-1717) e é especialmente famosa a Passacaglia em dó menor (1708-1717) depois, a tocata e fuga em Fá maior (1708-1717), a Fantasia e Fuga em sol menor (1708-1717) e a gigantesca Tocata e Fuga em tono dórico (1708-1717). São as obras-primas do gênio contrapontístico de Bach. Enfim, o mestre resumiu sua arte organística num volume chamado Clavierübung (1726-1731):Exercício para as teclas, de peças baseadas em corais luteranos, espécie de grandioso catecismo sem palavras; a fuga introdutória dessa obra é conhecida como Annenfuge (Fuga de Ana).

 

Cantatas. Os motetos assim como as obras organísticas, parecem especificamente nórdicos em comparação com as cantatas destinadas a serviços de tarde dos domingos; pois nas árias, abundantemente melodiosas, dessas cantatas é evidente a influência da ópera italiana. Das centenas de cantatas que Bach escreveu, muitas se perderam. Subsistem 198, que são hoje as obras mais executadas da música barroca. Para citar só as mais importantes: nº 21, Ich hatte viel Bekümmernis (1714; Tive muita preocupação); nº 147, Herz und Mund und Tat und Leben (1716; Coração e boca e ação e vida), com o famoso coro “Jesus, alegria dos homens”; a cantata para a festa da Reforma, nº 80 (1716-1730); nº4, Christ lag in Todesbanden (1724; O Cristo esteve à morte); nº 56, Ich Will den Kreuzstab gerne tragen (1731; Quero sustentar a cruz); nº 78, Jesu, der du meine Seele (c. 1740; Jesus quer minha alma); nº 140, Wachet auf (c. 1731; Acordai).

 

A numeração nada tem a ver com cronologia e refere-se à ordem da publicação moderna das cantatas, nas quais tampouco é possível verificar evolução ou amadurecimento. Uma das maiores, nº 106, chamada Actus tragicus e destinada a um enterro, é da mocidade do compositor, de 1707 ou 1711. Bach reuniu seis cantatas sobre textos natalinos para o delicioso Weihnachtsoratorium (1734; Oratório de Natal). Cantata também é uma das raras composições do mestre com letra em latim, o Magnificat (1723), que é realmente magnífico. Enfim, Bach escreveu várias cantatas com textos profanos e até humorísticos, como a Kaffeekantate (c. 1732; Cantata do café) e a Bauernkantate (1742; Cantata dos camponeses).

 

Grandes obras corais. As maiores obras corais do mestre são a Johannespassion (1723; Paixão segundo São João), a grandiosa Matthaeuspassion (1729; Paixão segundo São Mateus) e – caso estranho, tratando-se do maior compositor do protestantismo – a gigantesca Missa em si menor (1733-1738), obra sui generis, de espírito ecumênico.

 

Obras de música instrumental. Na música instrumental de Bach é evidente a influência de Vivaldi e também, nas obras pianísticas, a de Couperin. O número de obras-primas é tão grande que só algumas podem ser mencionadas: o Concerto para piano e orquestra em ré menor (1729-1736); os Concertos para violino e orquestra em Mi maior e lá menor (1717-1723); o Concerto para dois violinos e orquestra em ré menor (1717-1723); as Suítes para orquestra de câmera nº2 em si bemol menor e nº 3 em Ré maior, ambas de 1722; as deliciosas Sonatas para violino e cravo e para flauta e cravo (1717-1723); para o piano solo, as Suítes inglesas (c. 1725), as Suítes francesas (c. 1722), as Partitas e o impressionante Concerto italien (1735).

 

Obras experimentais. Obras à parte são as experimentais, em que Bach consegue escrever polifonicamente para um instrumento de cordas: as seis Sonatas para violoncelo solo (c. 1720), hoje famosas na interpretação de Casals; as Sonatas para violino solo (c. 1720) e a Suíte nº 2 para violino solo em si bemol menor (c. 1720), cujo último movimento é a famosa Chaconne.

 

Obras didático-monumentais. Bach reuniu em sua personalidade artística dois elementos contraditórios: o didático-sistemático e o monumental. Suas obras talvez mais perfeitas sejam aquelas em que pretende esgotar sistematicamente todas as possibilidades de um determinado gênero, construindo ao mesmo tempo estruturas monumentais. Os seis Brandenburgische Konzerte (1721; Concertos de Brandenburgo) são os exemplos mais perfeitos do gênero concerto grosso, e o monumento desse gênero, então já um tanto obsoleto.

 

As Variações de Goldberg, para cravo, dedicadas ao cravista Goldberg (1742), são a primeira grande (talvez a maior) obra de variações da literatura musical. Das Wohltemperierte Clavier (1722-1744; O Cravo bem temperado), duas séries de 24 prelúdios e fugas cada uma, a “Bíblia do Pianista” é um curso prático de arte de escrever e tocar contrapontisticamente e, ao mesmo tempo, um manual completo do sistema tonal moderno. Enfim, são monumentos da arte de escrever fugas o Musikalisches Opfer (1747; Oferenda musical) e a Kunst der Fuge (1748-1750; Arte da fuga) que ficou incompleta. Essa última obra não está destinada a determinados instrumentos; é música altamente abstrata, que já foi diversamente instrumentada.

 

Projeção. Bach resume toda a arte musical polifônica dos sécs. XVI e XVII e do início do séc. XVIII. Mas ficou alheio à nova arte homófona que começou e venceu em seu tempo. Esse fato, assim como a decadência do espírito religioso em sua época (Bach é contemporâneo de Voltaire), explica a pouca irradiação das suas obras durante sua vida e o esquecimento total depois de sua morte. Só o Cravo Bem Temperado continuou sendo usado como obra didática. Em 1829, Felix Mendelssohn desenterrou e regeu em Berlim a Paixão Segundo São Matheus, ressuscitando o velho mestre. Seguiu-se a descoberta das obras instrumentais e, enfim, a publicação das cantatas. Schumann e Brahms exaltaram a glória do “velho Bach”. Na segunda metade do século XIX Bach era venerado, um pouco romanticamente, como grande antepassado. Mas só no séc. XX sua influência se torna viva e quase avassaladora, ao passo que muitas obras suas alcançam surpreendente popularidade.

 

Obras mais conhecidas. Quase todas as obras de Bach são hoje executadas com frequência, de tal modo que algumas conquistaram divulgação internacional.

 

Brandenburgische Konzerte, seis concerti grossi, dois em Fá maior, dois em Sol maior, ré menor e si bemol menor - escritos em 1721, sob a influência evidente de Vivaldi, distinguem-se da arte do mestre italiano pela maior densidade polifônica e pela temática, que é em parte aristocrática e, em parte, folclórica alemã. Nesses concerti grossi, dos últimos que foram escritos no séc. XVIII, Bach erigiu um monumento ao gênero. Experimenta todas as combinações possíveis de orquestração e de polifonia instrumental. Embora sendo música absoluta, sem qualquer apelo a sentimentos extramusicais, os temas e o aproveitamento dos temas sugerem extensa gama de emoções, de alegria, melancolia, meditação, ternura, brilho virtuosístico e de intensa energia mental. Esses concertos são a mais perfeita obra instrumental do mestre.

 

Kunst der Fuge, 19 fugas sobre um tema, cujo contra-sujeito é a sequência melódica si bemol-lá-dó-si, isto é, em notação alemã, B-A-C-H. No fim da obra, que ficou incompleta em 1750, encontra-se um coral. É a obra-prima da arte contrapontística de Bach. É notada sem indicação dos instrumentos que a deveriam executar. Das versões modernas, as mais conhecidas são as para orquestra de câmara, de Wolfgang Graeser, e para dois pianos, de Bruno Seidlhofer.

 

Matthaeuspassion, escrita em 1729, obra colossal de dramaticidade barroca e, no entanto, de devoção íntima. Além da parte do evangelista, recitativos maravilhosamente adaptados ao texto bíblico e das grandes árias e coros, são, sobretudo, notáveis os breves e incisivos coros do povo. É hoje a obra mais popular do compositor.

 

Missa em si bemol menor,escrita entre 1733 e 1738, dedicada ao eleitor (convertido ao catolicismo) da Saxônia. Não se trata, porém, de uma concessão feita pelo compositor luterano. O texto litúrgico é dividido em trechos curtos, de modo que se trata de uma coleção de cantatas; e as palavras “unam sanctam et apostolicam Ecclesiam” são compostas sobre as respectivas notas do cantochão gregoriano, indicando que se trata de uma obra espiritualmente anterior à separação das confissões pela Reforma. É a maior composição do texto que existe.

 

Das Wohltemperierte Clavier, 48 prelúdios e fugas para piano, escritos em 1722 e em 1744. As dificuldades técnicas da execução e a riqueza inesgotável da polifonia inspiram, para essa obra, o apelido de “bíblia do pianista”. Ao mesmo tempo, a obra esgota todas as possibilidades do sistema tonal moderno (daí o título “bem temperado”); é notável o fato de que a primeira parte foi escrita em 1722, no mesmo ano em que Jean Philippe Rameau publicou, para os mesmos fins de sistemática, seu Traité de I´harmonie (1722; Tratado de harmonia).




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Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional