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Os mais famosos compositores da linha do tempo

BACH, JOHANN CHRISTIAN (1735-1782)

Última modificação : Terça, 02 Janeiro 2018 14:23



ALEMÃO – ERA CLÁSSICA – C.360 OBRAS

 

Vida. Filho mais novo de Johann Sebastian Bach, Johann Christian nasceu em Leipzig no dia 05 de setembro de 1735 e morreu em Londres no dia 01 de janeiro de 1782. Compôs numerosos trabalhos orquestrais e de câmara, além de várias óperas. Viveu uma boa parte de sua vida em Londres, motivo pelo qual ficou conhecido como o “Bach de Londres”.

 

Johann Christian Bach foi o último dos doze filhos de Johann Sebastian Bach com Anna Magdalena Wülken (ou Wilcken, ou ainda Wülckens). Começou a estudar música com o pai e, provavelmente, com o primo, Johann Elias Bach. Acredita-se que o livro II do Cravo Bem Temperado, famosa composição de Johann Sebastian Bach, tenha sido escrito para ser usado na instrução de Johann Christian. Serviu como copista de J.S.Bach e, após a morte do pai em 1750, tornou-se aluno de seu meio-irmão Carl Philipp Emanuel Bach, na cidade de Berlim.

 

Em 1754 foi à Itália estudar contraponto com o padre Giovanni Battista Martini e, de 1760 a 1762, trabalhou como organista na catedral de Milão. Lá, escreveu duas missas, um réquiem, um Te Deum, entre outras obras. Foi nessa época que Johann Christian converteu-se ao catolicismo.

 

Foi o único filho de J.S.Bach que escreveu óperas em italiano, começando com árias inseridas em óperas de outros compositores, prática conhecida como pasticci. Foi contratado pelo Teatro Regio, em Turim para compor uma ópera séria, Artaserse, que estreou em 1760. A apresentação foi um enorme sucesso. Em 1762 recebeu uma proposta para trabalhar em Londres, onde passou o resto de sua vida.

 

Surgimento dos concertos públicos, solistas e piano. Em 1765, Johann Christian fundou, em Londres, junto com o violinista Karl Freidrich Abel, uma empresa de concertos públicos que foi imitada em outras capitais da Europa, apontando para um novo ramo de negócios. O surgimento do concerto, com a sua teatralidade específica, onde se expõe a música diante de um público anônimo e pagante, anunciava o fim da música escrita “para a câmara de príncipes e aristocratas”. A igreja, a corte, o palácio, perdiam o papel de centros promotores da vida musical alta, que se abria, então, pela primeira vez, a um virtual mercado de massa.

 

Além disso, Johann Christian substituía o cravo pelo piano, no concerto para solista e orquestra, gênero também desenvolvido pelo seu irmão Carl Philipp Emanuel. Conjugava-se, assim, o teatro de concerto com a figura do público silencioso e anônimo, por um lado, e pagante e ruidoso (no aplauso ou na reprovação) por outro, sobre o qual se projetava a figura enfaticamente individualizada do compositor e do solista, que durante algum tempo se confundiram. O solista será o novo príncipe da subjetividade se destacando sobre o anonimato da orquestra e sobre o anonimato da platéia.

 

Vida em Londres. Durante 20 anos foi o músico mais popular da Inglaterra. Sua primeira ópera, Orione, foi uma das primeiras obras da época que utilizou a clarineta. Sua ópera séria, La Clemenza di Scipione (1778), continuou popular entre os londrinos durante muitos anos e tem paralelos interessantes com a última obra de W.A.Mozart desse gênero: La Clemenza di Tito (1791).

 

Johann Christian foi designado mestre de música da rainha e seus concertos promovidos em Hanover Square, em parceria com Karl Friedrich Abel, logo se tornaram os mais populares entretenimentos públicos pagos.

 

Amizade com W.A.Mozart. Em Londres, no ano de 1764, Johann Christian fez amizade com W.A.Mozart, que estava visitando a cidade. Muitos especialistas consideram que J.Christian foi uma das mais importantes influências sobre Mozart, que com ele aprendeu a utilizar uma textura atraente e brilhante. Johann Christian faleceu pobre, em 1762, e foi enterrado numa vala comum, na Igreja St.Pancras Old com o sobrenome grafado errado: “Back”. Mozart, em uma carta para seu pai, escreveu sobre a morte do amigo: “Foi uma grande perda para o mundo da música”.

 

Estilo. A música de Johann Christian se afasta completamente dos estilos dos dois Bach – Johann Sebastian e Carl Philipp Emanuel. Sua música é altamente melódica e estruturada de forma brilhante. Ele compôs segundo a estética galante, um estilo que incorpora frases balanceadas, com ênfase na melodia e no acompanhamento, sem muita ênfase na complexidade contrapontística. O movimento galante posicionou-se contra as intrincadas linhas do barroco e, em seu lugar, focou a importância em melodias fluentes e em frases com períodos. Precedeu o estilo do classicismo, que fundiu a estética galante com o interesse renovado pelo contraponto.

 

Somente no século XX foi que o mundo musical começou a entender que os filhos de Johann Sebastian Bach tinham o direito de compor num estilo diferente do de seu pai sem que, com isso, seus idiomas musicais fossem inferiores ou sem qualidade, e que compositores como Johann Christian passaram a ser vistos com um interesse renovado. Ele foi um dos primeiros compositores a dar preferência ao recém desenvolvido pianoforte em detrimento dos antigos instrumentos de teclas, como o cravo.




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Fonte: Wikipaedia e acervo pessoal de pesquisas.