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Os mais famosos compositores da linha do tempo

CHOPIN, FRÉDÉRIC FRANÇOIS (1810-1849)

Última modificação : Segunda, 02 Março 2015 17:39



POLONÊS – ERA ROMÂNTICA - 219 OBRAS

 

Exilado pela revolução, abandonado pela amante, morrendo de tuberculose, mas sempre vestido com apuro, a frágil imagem de Chopin encaixa-se em todos os estereótipos do artista romântico. Primeiro poeta do piano, sua obra foi imediatamente popular e sempre transcendeu os caprichos da moda. Herói nacional, sua música anunciou a libertação de sua Polônia natal e continua a acompanhar homens de Estado à sepultura.


Vida. Compositor e pianista polonês, Frédéric François Chopin nasceu em Zelazowa Wola em (?)01 de março de 1810 e morreu em Paris em 17 de outubro de 1849. Fevereiro costumava ser considerado o mês em que o compositor nasceu, mas recentemente musicólogos descobriram que, em cartas à sua mãe, Chopin regularmente mencionava o dia 1º de março como data de seu aniversário. Filho de um imigrante francês, da Lorena, e de uma polonesa de origem aristocrática, revelou cedo sua vocação musical, incentivada por sua mãe, que era pianista. Menino prodígio, aos oito anos já era um executante perfeito e ensaiava as primeiras composições, época em que era aluno do Conservatório de Varsóvia. Em 1829 destaca-se como concertista em Viena. Em 1830 deixa a Polônia para uma viagem de estudos. Toma conhecimento, em Stuttgart, do fracassado levante aristocrático-liberal em Varsóvia contra a opressão czariana, encaminhando-se então a Paris e ali se fixando desde 1831, sem retornar mais ao seu país. Em poucos meses conquista a sociedade aristocrática e os círculos artísticos parisienses. Em 1837 conhece a romancista George Sand - Amandine-Aurore-Lucile Dupin, seguindo-se uma ligação difícil, que se romperá definitivamente em 1847. A revolução de 1848 força-o a trocar Paris por Londres. Sua saúde já debilitada não suporta o clima londrino e por isso regressa a Paris no mesmo ano, sem esperanças de cura da doença – tuberculose. Em seu último ano de vida sente insatisfação com sua obra, chegando a destruir muitas páginas já finalizadas. 


Caracterização. A posição de Chopin na história da música é paradoxal. Artista de índole aristocrática, que executava sua música em auditórios seletos, com raras aparições diante do grande público, criou uma obra estrita, de matizes delicados, mas conquistou uma enorme audiência popular. Após sua morte, seu amigo Franz Liszt (1811-1886) presumiu que a posteridade teria reconhecimento “menos frívolo” por sua arte que os contemporâneos. A verdade é que a obra de Chopin suscitou equívocos persistentes: a extrema facilidade melódica de algumas peças superou, no julgamento mais geral, a complexidade melódica e harmônica de outras menos divulgadas. Desse ponto de vista pode-se falar na existência de um duplo Chopin: o do grande público, romântico cuja obra se confunde com a biografia sentimental, e o dos músicos, autor de obra originalíssima. A primeira singularidade de Chopin é o caráter quase atemporal de sua obra. Há nela, certamente, influências locais – música polonesa e folclore de sua terra – e históricas – nacionalismo, influência dos contemporâneos -, mas não se pode falar, propriamente, numa evolução por etapas. Chopin era músico já realizado em seu estilo ao chegar em Paris. A segunda singularidade é a escolha, ou imposição do temperamento criador, de um meio expressivo dominante: o piano. Singularidade que é também a sua limitação: Chopin desconhece os grandes gêneros instrumentais, sendo, regra geral, compositor de peças breves. 


Obras. A obra de Chopin é essencialmente pianística. Entre as suas primeiras realizações estão os dois Concertos para Piano e Orquestra: em fá menor, Opus 11 (1829), e em si menor, Opus 21 (1830). Compôs, mais tarde, 17 Lieder poloneses, sobre temas folclóricos de sua terra natal. Mas Chopin compreendeu que a sua imaginação poética só necessitava de um único meio de expressão para se expandir.

Para o piano criou um estilo peculiar, de nervosa oscilação rítmica pelo uso insistente do tempo rubato. Na sua obra para piano solo há peças de difusa fantasia poética, peças de vibração passional, exercícios de desafio à técnica pianística e até, em algumas, mero virtuosismo, que se deve talvez à influência de seu próprio virtuosismo no teclado. 


Entre as coleções de peças breves de Chopin destacam-se as Études Opus 10 (1833) e as Études Opus 25 (1836). A influência visível é a de J.S.Bach, seu músico preferido, e da melodia de V.Bellini. Tratam-se de peças, com o propósito definido de resolver problemas técnicos no teclado. 

Outra coleção valiosa são os Préludes Opus 28 (1839), mais breves, mais esboçados, embora alguns sejam tão elaborados quanto os estudos. Dos Nocturnes há diversas coleções: Opus 9, 15, 27, 48 e 62. São peças etéreas, muito menos definidas. Assim como as Valses, de várias épocas, são forçosamente mais fáceis, mais ligeiras. 


Entre as peças de caráter nacionalista estão as mazurkas e as polonaises, entre as quais se destaca a Polonaise Militaire Opus 40. As características nacionais da obra chopiniana estão associadas ao fato de, na época, a Polônia não constituir um estado. No final do século XVIII, seu território fora partilhado entre a Rússia, a Áustria e a Prússia, e a cultura era um meio de preservar o espírito nacional.São obras de ritmos eslavos, embora afrancesados.


Mais íntimas são as ballades. São quatro obras, escritas entre 1830 e 1843, das quais a última - a de nº4 em fá menor – está entre as maiores obras de Chopin. Também quatro são os scherzi (1830-1843), nos quais nada transparece do romantismo melancólico: são peças cáusticas, de elaboração difícil, que muito exigem dos intérpretes. 


Finalmente, é preciso citar, entre as peças isoladas de Chopin, a Barcarole em Fá Sustenido Maior, Opus 60 (1846), que pode ser considerada como o maior dos noturnos de Chopin, e a Grande Fantasia em fá menor, Opus 49 (1842), que alguns consideram sua obra-prima, só rivalizando com esta a maior de suas três sonatas: a Sonata em si bemol menor, Opus 35 (1839), que inclui a Marche Fúnebre. Peças únicas, numa obra breve e singular, que muito contribuíram para o enriquecimento da linguagem musical e técnica pianística.



 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional


Exilado pela revolução, abandonado pela amante, morrendo de tuberculose, mas sempre vestido com apuro, a frágil imagem de Chopin encaixa-se em todos os estereótipos do artista romântico. Primeiro poeta do piano, sua obra foi imediatamente popular e sempre transcendeu os caprichos da moda. Herói nacional, sua música anunciou a libertação de sua Polônia natal e continua a acompanhar homens de Estado à sepultura.