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Os mais famosos compositores da linha do tempo

BACH, JOHANN SEBASTIAN (1685-1750)

Última modificação : Segunda, 01 Dezembro 2014 18:07



ALEMÃO – ERA BARROCA - 972 OBRAS

 

Enquanto vivo, Johann Sebastian Bach foi mais conhecido como organista, tendo sido eclipsado como compositor por seus filhos. No final do século XVIII, contudo, sua obra musical para teclado coral e vocal e peças instrumentais - ambas sacras e seculares - foram redescobertas por uma plateia nova e mais sensível, admiradora de sua qualidade e espírito únicos. Desde então seu renome não parou de crescer.


Johann Sebastian Bach fica, para a História da Música, como o maior compositor não só da sua era e do seu estilo, mas como o de todos os tempos. Bach nasceu em Eisenach em 1685 numa família de músicos sendo, no entanto, somente a partir deste Bach, que o nome se tornaria universalmente famoso.  Aos dez anos Bach fica órfão de pai, passando então a estar sob a tutela do seu irmão. Com Carl Böhm, em Ohrdruf, Bach estuda cravo, órgão, e os princípios do contraponto, sendo que em 1703 obtém o cargo de organista em Arnstadt, o qual manterá até 1707, quando vai para Muhlhausen.

 

Vai para Weimar (onde compôs as suas melhores obras para órgão e cantatas) em 1708 e em 1716, por não ter sido nomeado Mestre de Capela nesta cidade, Bach deixa o cargo e vai para a corte de Cöthen. Em Cöthen, onde o príncipe eleitor se interessava muito por música instrumental, Bach compõe as suas melhores obras instrumentais, entre as quais os Concertos de Brandenburgo e as Suítes Orquestrais. Também aí compõe o primeiro livro do Cravo Bem Temperado e outras das suas melhores peças para cravo.

 

Em 1723 é nomeado Mestre de Capela em Leipzig, na Igreja de São Tomás. Com o decrescente interesse pela sua música em Cöthen, Bach deixa o seu posto na corte. E seria em São Tomás que Bach ficaria para o resto da sua vida, compondo lá obras de enorme importância como as Variações Goldberg, o Oratório de Natal e a Arte da Fuga. A música de Bach é realmente inspirada por Deus. Ouvindo as suas paixões, a de São Mateus e a de São João, percebemos que para além de um inimaginável esforço e trabalho de Bach, está uma inspiração fora do comum, e que nas obras religiosas adquire uma expressão mais emotiva e liberta.

 

Bach destaca-se na música religiosa. O espólio de  cantatas é imenso, e ainda restam as paixões, e o Oratório de Natal. A música orquestral de Bach, apesar de ser em menor número, é de igual importância, principalmente os Concertos de Brandenburgo. Como já foi dito, foi em Cöthen que Bach compôs a maior parte deste gênero de música, e dela constam sonatas, partitas, concertos e aberturas francesas.

 

As sonatas de Bach são as mais belas do barroco, de igual nível das de Corelli, mas a perfeição é atingida nas partitas para violino. Aliás, Bach é o principal compositor alemão para violino do seu tempo. Na obra concertante, é de se notar que é com Bach que esta forma adquire a sua forma mais perfeita, principalmente no terceiro concerto brandenburguês. Os instrumentos solistas e a orquestra dialogam na maior perfeição, e tudo isto graças à maestria de Bach sobre o contraponto e a sua incansável inventividade melódica e emotividade. A suas aberturas contêm alguns dos mais famosos trechos orquestrais da História da Música.

 

No final da sua vida, Bach começou a ficar cego, compondo ainda as Suítes para Violoncelo, hoje consideradas como a prova de fogo de qualquer grande intérprete deste instrumento. Ficou completamente cego em 1750, morrendo nesse mesmo ano em  Leipzig. A sua obra começou a ser sistematicamente publicada somente em 1850. Deixou-nos um legado de 972 obras catalogadas.

 


 O SISTEMA DE NUMERAÇÃO BWV

 

O registro das obras de Bach foi elaborado pelo músico alemão Wolfgang Schmieder (1901-1990) e é conhecido pela sigla "BWV", que significa Bach Werke Verzeichnis ('Catálogo das Obras de Bach'). O catálogo foi publicado em 1950 e o número de BWV algumas vezes é chamado como “Número de Schmieder”, usando S no lugar de BWV.O catálogo é organizado mais tematicamente do que cronologicamente:


    BWV 1-222 são as cantatas.

    BWV 225-248 as obras corais feitas em larga-escala.

    BWV 250-524 corais e canções sacras.

    BWV 525-748 obras para orgão.

    BWV 772-994 outras obras para instrumentos de teclado.

    BWV 995-1000 música para alaúde.

    BWV 1001-1040 música de câmara.

    BWV 1041-1071 música orquestral e

    BWV 1072-1126 cânones e fugas.

 

Para a compilação do catálogo, apesar de quase metade da obra de J.S.Bach ter sido perdida ao longo do tempo, Schmieder seguiu grande parte da "Bach Gesellschaft Ausgabe" (edição da sociedade Bach), uma ampla edição dos trabalhos do compositor produzida entre 1850 e 1905.

 

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