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Os mais famosos compositores da linha do tempo

HAYDN, FRANZ JOSEPH (1732-1809)

Última modificação : Quinta, 30 Janeiro 2014 17:17


AUSTRÍACO – ERA CLÁSSICA – 1195 OBRAS


Nascido na era barroca, e ainda vivo quando Beethoven compôs sua Sinfonia Pastoral, Haydn foi uma figura-chave na evolução do estilo clássico. Ao compor uma vasta obra nos limites protetores da corte dos Esterházy e estabelecer formas padrão para a sinfonia, a sonata e o quarteto de cordas, despontou como uma personalidade internacional que influenciou Mozart e ensinou Beethoven.

 

Vida. Compositor austríaco, Joseph Haydn nasceu em Rohrau, Baixa Áustria, a 31 de março de 1732 e morreu em Viena a 31 de maio de 1809. Filho de artesãos pobres, Haydn foi, após instrução inicial com um mestre-escola em Hainburg, admitido no coro da catedral de Santo Estevão, em Viena, onde completou sua educação musical. Levou depois uma vida modesta de músico de tavernas e serenatas populares. Através de Niccolò Porpora entrou em contacto com o grande mundo da música. Em 1759 foi nomeado diretor musical da câmara do conde Morzin, na Boêmia.

 

Em 1761, após um casamento fracassado, dá-se um acontecimento decisivo para Haydn: é contratado pelo príncipe Esterházy como segundo mestre de capela em Eisenstadt. Posteriormente instala-se no castelo de Esterházy como Kapellmeister (mestre de capela). Numa corte que pretendia rivalizar com Versalles, Haydn torna-se figura indispensável como diretor musical, tendo uma orquestra à sua disposição. Sua fama torna-se internacional e, em 1791, com a morte do Príncipe, adquire uma liberdade que era antes limitada. Conhece grandes sucessos em Londres, onde estagia um ano e meio, a convite do empresário Salomon. Seus últimos anos em Viena são de atividade intensa, como compositor oficial do império. Morre ao ser a cidade ocupada pelas tropas de Napoleão, e são os próprios oficiais franceses a formar a guarda de honra no seu enterro.

 

Caracterização. Haydn é o iniciador de uma nova fase na história da música. Não foi homem de grande cultura, mas de rara inteligência musical. Sua experiência em conjuntos ambulantes, nas ruas, onde era impossível o acompanhamento do baixo- contínuo, levou-o a compreender a auto-suficiência do conjunto instrumental de cordas. Com a sua obra se desenvolve uma nova polifonia instrumental, sem o apoio harmônico do baixo-contínuo. Seu princípio construtivo será a forma-sonata, que teve como precursor mais ilustre Karl Philipp Emanuel Bach. Esse esquema construtivo (exposição, modificação tonal e recapitulação, com desenvolvimento de temas contrastantes) torna-se a base da música instrumental de Haydn. Nela a forma-sonata se aperfeiçoa e faz-se a pedra de toque do Classicismo Vienense.

 

Haydn é o primeiro nome da triste “clássica” seguido por Mozart e Beethoven. Mas não deve ser tomado por um iniciador primitivo de um estilo depois aperfeiçoado. Sua obra, ou pelo menos a parte válida de sua obra imensa, já é perfeita dentro de suas proposições. E o que se propôs foi justamente o aperfeiçoamento de uma nova linguagem musical. Sua origem foi o folclore musical da Baixa Áustria, e nesse sentido sua música é inconfundivelmente austríaca, mas seu ponto de chegada, o enriquecimento da musica instrumental, foi um idioma universal falado por todos os músicos modernos, e não só pelos clássicos vienenses.

 

Obra. A produção de Haydn foi imensa, abrangendo cerca de meio século de atividade. Embora tenha sido compositor essencialmente instrumental, sua produção compreende todos os gêneros instrumentais vocais, sacros e profanos. A quantidade enorme se superpõe à dificuldade de, não se tendo ainda estabelecido uma edição completa de suas obras, muitas atribuições serem errôneas. Não sendo possível percorrer uma evolução cronológica, sua obra deve ser considerada em uma divisão básica: instrumental e vocal.

 

Música instrumental. As seções mais importantes da musica instrumental de Haydn são as sinfonias e os quartetos. As primeiras sinfonias, que não sobreviveram no repertório, datam da década de 1760. Utiliza-se nelas elementos da música barroca, conjugando, em pequenas orquestras, instrumentos de sopro e cordas. Quanto à estrutura, Haydn não tardou em adotar a divisão em quatro movimentos: allegro, andante, minueto e segundo allegro.

 

A partir de 1768, atingindo a maturidade, o estilo de Haydn se transforma, tornando-se mais expressivo com o uso de modulações e contrastes entre os movimentos. Nessas obras predominam o gosto pela assimetria formal, o espril, a nobreza aristocrática e a jovialidade popular.

 

Haydn foi natureza complexa: homem do século aristocrático que não abandonou as raízes populares, católico ligado ao ambiente racionalista da maçonaria. Essas ambigüidades se refletem nas tensões dramáticas da forma-sonata. Suas últimas sinfonias são mais complexas, o naipe instrumental é mais diverso, com o emprego da percussão e o uso dos novos timbres. A influência de Mozart, nessa última fase, é evidente, mas não deve ser exagerada, tendo havido intercâmbio entre os dois mestres.

 

Além de 104 sinfonias, Haydn escreveu dezenas de aberturas, marchas e divertimentos para pequenas orquestras, e vários concertos para cravo e orquestra. Mais importante, porém, é a sua obra de câmara. Antes dos quartetos é preciso citar como obras muito pessoais as sonatas para piano, destacando-se a nº49 em Mi bemol maior (1790). Entre as obras de câmara tem lugar especial o Trio para piano e cordas nº1 em Sol maior, denominado O cigano, por causa de seus elementos do folclore austríaco, eslavo e húngaro. Mas foram os quartetos sua principal contribuição.

 

Haydn escreveu ao todo 83 quartetos. Nessas obras se dá a mais perfeita síntese inventiva entre o equilíbrio construtivo e a expressão emotiva. São os quartetos da última fase que melhor representam o seu gênio inventivo, no desenvolvimento de mutações melódicas e rítmicas. Neles é mais sensível a influência mozartiana, embora muito de sua inventividade se deva também à maturidade estilística de Haydn.

 

Música vocal. Em suas obras vocais Haydn não é inovador como o foi na música instrumental. Segue, relativamente, a tradição. Filho de um século profano, foi também operista; entre suas óperas bufas, destaca-se Lo Speziale (1768; O Boticário), com texto de Carlo Goldoni.

 

Mas é na música litúrgica que se destaca mais. Curiosamente, embora cristão fervoroso, não fez muita distinção entre religioso e o profano. Suas missas estão carregadas de elementos profanos e nelas se sente a sombra do sinfonista que se revela no contraste entre os solistas e o coro e no estilo concertante. Eram consideras inconvenientes para a liturgia e a sua época preferiu as missas do irmão, Michael Haydn.

 

Michael Haydn nasceu em Rohrau, Baixa Áustria, a 14 de setembro de 1737 e morreu em Salzburg a 10 de agosto de 1806. É conhecido, sobretudo,pela música sacra, e seu irmão Joseph considerava-o superior como músico litúrgico. Destaca-se dele um Requiem solemne em dó menor (1771).

 

As missas de Joseph Haydn, da última fase, revelam influência de Mozart. Não têm, contudo, aspecto litúrgico, mas de sinfonias corais: Missa em Dó maior In tempore belli (1796: Em época de guerra).

 

Essa música pouco litúrgica despertou polêmica em sua época. Haydn foi influenciado pelo estilo italiano de Alessandro Scarlatti, que transparece no seu Stabat Mater (1773). Sua obra coral mais famosa é As Sete palavras de Cristo na cruz, composta de peças escritas originalmente para orquestra em 1785 e adaptadas para o coro em 1796, e posteriormente para quarteto de cordas.

 

Compositor notavelmente fértil, Haydn deixou extensa obra vocal, incluindo cantatas para solo, árias, duetos, trios e quartetos vocais, e muitas canções de base folclórica, inclusive o coral que se tornou o hino nacional da Áustria. Mas seu lugar na história da música está marcado pelas inovações que trouxe para a música instrumental, desenvolvendo a forma sonata e consolidando a estrutura de novos gêneros, como a sinfonia e o quarteto.

 

 



Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional.