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Os mais famosos compositores da linha do tempo

HÄENDEL, GEORGE FRIEDRICH (1685-1759)

Última modificação : Terça, 28 Junho 2016 14:15



ALEMÃO/INGLÊS – ERA BARROCA – 487 OBRAS

 

Häendel foi o típico artista, viajante e empreendedor do século XVIII. Representou não somente a síntese peculiar do instrumental alemão com o lírico italiano, como também uma era inteira de música na Inglaterra. Embora Häendel seja mais conhecido por sua Water Music, Music for the Royal Fireworks e pelo Messiah, o foco de sua carreira estava nas obras dramáticas.

 

 

Vida. Compositor inglês de origem alemã, George Friedrich Handel (em al. Haendel ou Häendel) nasceu em Halle a 23 de fevereiro de 1685 e morreu em Londres a 14 de abril de 1759. Revelou, desde cedo, sua vocação musical, mas, atendendo às exigências paternas, fez estudos jurídicos na universidade de Halle, simultâneos à aprendizagem da técnica organística. Em 1703 transferiu-se para Hamburgo, então o centro teatral da Alemanha. Ali se encenou sua primeira ópera, Almira (1705), que lhe valeu várias encomendas. Em 1706 mudou-se para a Itália, conhecendo o sucesso, como compositor de música sacra, de música de câmara, de oratórios e de óperas, em Roma, Nápoles e Veneza, onde rivalizou, em prestígio, com o grande Alessandro Scarlatti. Foi então convidado pelo príncipe-eleitor de Hannover para ocupar o cargo de Kapellmeister (mestre de capela) na sua corte em 1710.

 

Handel se sentia mais fascinado, entretanto pelo centro musical de Londres, para onde viajou antes de assumir o cargo em Hannover. Dividiu seu tempo entre as duas cidades, fixando–se em Londres em 1713, vivamente prestigiado pela corte da rainha Ana. Em 1714, com a morte da rainha, ascendeu o trono inglês, como rei, Jorge I, o eleitor de Hannover. Handel tornou-se o músico principal da corte. Em seus primeiros tempos em Londres o compositor conheceu grande êxito com as suas óperas. Posteriormente, entretanto, sua popularidade decresceu cada vez mais, pois Handel estava preso a uma fórmula que já não agradava mais ao público. Mas, embora abandonado pelos financistas e cheio de dívidas, prosseguiu obstinadamente na criação e encenação de suas óperas.

 

Em 1737 foi atingido por uma paralisia parcial, mas continuou seu trabalho, compondo alguns grandes oratórios. E foi um desses, Judas Maccabaeus (1747), escrito para celebrar a vitória inglesa contra os rebeldes escoceses, que conduziu a novo período de popularidade. Seus últimos anos, entretanto, foram prejudicados pela cegueira progressiva. Mas o compositor continuou a trabalhar como organista e como regente de seus oratórios.

 

Caracterização. A música (e às vezes a personalidade) de Handel costuma ser comparada e confundida, pelos leigos, com a do seu contemporâneo J.S.Bach. Ambos se parecem em seu gigantismo, ambos restabeleceram a ordem no caos resultante do experimentalismo do séc.XVII, ambos tiveram na fé luterana a motivação profunda para a sua música religiosa e ambos reconstruíram em maiores dimensões a polifonia vocal, tendo como origem a polifonia instrumental da música para órgão, pois foram ambos grandes virtuoses desse instrumento. Essas semelhanças talvez justifiquem a comparação, mas Handel e Bach foram personalidades muito diferentes. Enquanto o segundo ficou restrito a um ambiente provinciano, Handel foi homem da grande sociedade de Londres.

 

Como músico são também diferentes. Handel era compositor mais do tipo vocal, tinha preferência marcada pelo gênero grandiloqüente da ópera, que nunca atraiu Bach. A música religiosa dos grandes oratórios de Handel é muito menos interiorizada do que a das cantatas de Bach. A música de Handel, grandiosa e triunfante, foi a maior realização do ideal barroco, o de empolgar os sentidos. Como músico instrumental Handel parece às vezes superficial, na pintura de grandes afrescos, mas o colorido de sua orquestra é irresistível. Handel foi um grande mestre do artifício construtivo. Não hesitou nesse sentido, em se repetir sem escrúpulos, utilizando indiferentemente o tema de uma canção erótica em um De profundis, por exemplo, ou em se apropriar de temas de outros compositores como se fossem seus, fundindo-os em um estilo homogêneo.

 

Sua arte foi, assim, de um mestre universal, numa época em que a música não conhecia fronteiras nacionais. É arte de síntese, que funde elementos de várias nacionalidades, como a melodia da ópera italiana, a polifonia da música religiosa alemã e os ritmos de dança franceses. Esta síntese monumental estava a serviço da força expansiva de sua música e de seu temperamento dramático. Muito mais do que Bach, que era espírito contemplativo, Handel encarna a essência do Barroco, com a sua energia e impetuosidade, com a sua síntese de contrários.

 

Música litúrgica. Algumas das primeiras composições de Handel foram de música litúrgica, mas é no seu período inglês que surgem as obras primas nesse gênero. Handel seguiu a tradição de Purcell, compondo música para uso da Igreja anglicana.

 

Óperas. O temperamento dramático de Handel encontrou na ópera o que lhe parecia ser a expressão ideal. Deixou algumas dezenas de obras no gênero. O estilo operístico de Handel foi o da opera seria de Alessandro Scarlatti, sua influência decisiva. Handel aceitou todas as convenções desse estilo: a construção baseada numa seqüência de árias e recitativos, o uso de sopranos masculinos, e por isso sua ópera cansou, depois, o público inglês. Das suas óperas sobrevivem trechos que integram as coleções de Arie antiche para os cantores. A mais célebre é a ária “Ombra mai fu” da ópera Serse (1737).

 

Na universidade de Göttingen houve por volta de 1920 um movimento de renascença das óperas de Handel.

 

Oratórios. Foi no oratório que Handel encontrou a sua expressão congenial. Seus oratórios não divergem muito, estilisticamente, de suas óperas, mas neles é fundamental o tratamento polifônico dos coros, que predominam, apesar da beleza de muitas árias. Essa polifonia não é evolução direta da polifonia vocal do séc. XVI, mas tradução, em vozes humanas, da nova polifonia instrumental do Barroco. A arte do órgão, instrumento polifônico, transferiu-se para a música vocal.

 

Os oratórios de Handel estão no centro de sua obra vocal. Escreveu duas dezenas de oratórios, mas só alguns sobrevivem no repertório moderno. Embora o primeiro desses oratórios ainda seja do período italiano, só na Inglaterra é que Handel se dedicou fortemente ao gênero.

 

The Messiah (1742; O Messias) é a mais conhecida obra de Handel, tendo atingido grande popularidade o coro “Halleluja”.

 

Música vocal profana. A obra de Handel não apresenta divisão rígida entre sacro e profano e o compositor sempre alternou entre as duas tendências.

 

Música instrumental. Menos numerosa e menos essencial para a compreensão de Handel, mas não sem importância, é a sua obra instrumental. Destaque especial merecem os concertos para órgão e orquestra, que não sofrem comparação com a música litúrgica de Bach para órgão, pois são fantasias virtuosísticas e espirituosas para um instrumento menor, o órgão inglês de câmara, sem pedal.

 

Handel deixou ainda muita música instrumental de câmara. Compôs bastante na forma preferida da época barroca, o trio-sonata, para instrumentos solistas acompanhados, em geral, por violinos, flautas ou oboés e basso continuo. A diferença instrumental entre as sonatas e os concertos não era grande, mas Handel evoluiu quanto à forma, incorporando cada vez mais ritmos leves de dança. Merece referência, finalmente, sua numerosa obra para cravo, destacando-se dois conjuntos de suítes, de 1720 e 1733, e um conjunto de seis fugas, de 1735 (as datas são só aproximadas), suas maiores contribuições para o instrumento.

 



Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional