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Os mais famosos compositores da linha do tempo

MAHLER, GUSTAV (1860-1911)

Última modificação : Quarta, 29 Janeiro 2014 17:20


AUSTRÍACO – ERA ROMÂNTICA – 18 OBRAS


Conhecido sobretudo como maestro durante sua curta vida (dirigiu a Ópera de Viena por dez anos), Mahler compunha nas horas vagas. Seus lieder de grande escala com orquestra e suas nove sinfonias épicas, intensas e emocionalmente exaustivas (mais o esboço de uma décima), estão entre as peças mais gravadas e requisitadas do repertório. É considerado um elo entre a tradução austro-alemã do século XIX e o modernismo do século XX.

 

Vida. Gustav Mahler nasceu em Kalist (Boêmia) no dia 07 de julho de 1860 e faleceu em Viena no dia 18 de maio de 1911. Considerado o porta-voz das transformações musicais na virada do século 20 e um dos maiores regentes da história, Mahler, desde cedo, mostrou sinais de seu talento para a música: passava horas imitando o som das marchas militares (a região em que vivia era disputada por impérios) e amava o folclore de sua aldeia, Kalischt, na Boêmia (atual República Tcheca). Seu pai era dono de taverna, alcoólatra e, conta-se, violento. O compositor teve 14 irmãos – alguns ele viu morrer, como Ernst e depois Otto, também músico, que cometeu suicídio em 1895. Começou estudando piano e, aos 10 anos, apresentou-se pela primeira vez em um concerto.

 

De modesta família judaica, freqüentou durante alguns anos a escola secundária e iniciou em 1875, no Conservatório de Viena, o estudo da música. Ao ser admitido nesse tradicional Conservatório, aos 15 anos, Mahler – apesar de excelente aluno – sofria com a discriminação: por não pertencer à aristocracia e por ser judeu. Segundo muitos, esse sofrimento  da infância e adolescência  está refletido em sua obra. Em 1880 escreveu a obra coral Das Klagende Lied (A Canção Triste), que o tornou conhecido. Aos 20 anos já atuava como assistente na regência de orquestras que se apresentavam em pequenos teatros provincianos, e em 1885 regeu a famosa Ópera de Praga, o que tornou seu nome mais conhecido no ambiente das orquestras européias.

 

Foi regente em teatros de pequenas cidades de províncias e, em 1887, em Leipzig, onde terminou a composição da sua primeira sinfonia. Em 1888 foi nomeado diretor da ópera de Budapest e em 1891 regente da ópera de Hamburgo, onde suas atuações tiveram muito sucesso.

 

Respeitado por grandes nomes como Hans Von Büllow, foi convidado em 1892 para reger uma obra de Wagner na Royal Opera House, de Londres. Em 1897 ele alcançou o cargo mais cobiçado de toda a Europa: a cadeira de Maestro Titular da Ópera Imperial de Viena, onde permaneceu por uma década. Os anos seguintes foram períodos de grande sucesso, mas também de intrigas contra ele, inclusive da parte da orquestra, que não suportava os inúmeros ensaios a que o regente a submetia. Casou-se em 1902 com Alma Schindler, 20 anos mais jovem e descrita como uma das mais belas mulheres de Viena. Tiveram duas filhas, Anna (1904-1988) e Maria Anna (1902-1907).

 

Em 1907, Mahler foi forçado a demitir-se. Contratado pela Metropolitan Opera em Nova York, também foi muito aplaudido. Gravemente doente, voltou para Viena e aí faleceu.

 

Apesar da família bem estruturada e do trabalho reconhecido, é descrito como eternamente descontente. Confidenciou ao amigo, e também compositor, Jean Sibelius a seguinte frase: “A sinfonia é o mundo! A sinfonia deve abranger tudo!”.

Suas sinfonias – obras primas da música do início do século XX – foram escritas durante as poucas horas vagas que sua carreira de regente lhe proporcionava, em especial em suas férias de verão.

 

O regente. Mahler foi considerado por muitos o maior regente de todos os tempos, pela dedicação fanática ao trabalho e pela fidelidade na interpretação das obras. A fama de Mahler como regente eclipsou de longe a fama das suas próprias obras sinfônicas, executadas com freqüência, mas sem muito sucesso e rejeitadas pelos conservadores.

 

Obra. A produção de Mahler é composta de sinfonias e lieder. Seu estilo é o romântico tardio, mas expandiu a orquestra tanto em sonoridade como em tamanho. Sua Sinfonia nº8 – a “Sinfonia dos Mil”, 1910 – requer mil participantes. Contudo, o que singulariza uma sinfonia de Mahler é mais dramatúrgico: a sensação de vozes infinitas em ação e uma sequência de fatos. É considerado um elo entre a tradição austro-alemã do século XIX e o modernismo do século XX.

 

A posteridade. Mahler compunha somente nas horas vagas e a sua grandeza como compositor só foi reconhecida depois da sua morte, graças ao esforço de dois regentes: seu discípulo Bruno Walter e o holandês Willem Mengelberg.

As obras de Mahler caíram no esquecimento durante um curto período, em virtude da oposição, na Alemanha de Hitler, a músicos judeus, mas tornaram-se populares no final do século XX. 

 



Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional