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Os mais famosos compositores da linha do tempo

STRAVINSKY, IGOR FEODOROVITCH (1882-1971)

Última modificação : Segunda, 13 Abril 2015 17:24



RUSSO – MÚSICA MODERNA – NEOCLASSICISMO – 127 OBRAS


 

Considerado por muitos o maior compositor do século XX, a longa vida de Stravinsky atravessou continentes, culturas e eras. Ícone das artes modernas, talvez só tenha sido igualado por Picasso, cujas inovações precursoras criaram o mesmo choque e excitação. Também lembrava o mestre espanhol em seu talento para transformações artísticas radicais, embora, a despeito dessa qualidade, Stravinsky tenha permanecido inefavelmente ele mesmo.

 

Vida. Compositor russo naturalizado (1934) francês e, mais tarde, (1945) norte-americano, Igor Feodorovitch Stravinsky nasceu em Oraniembaum, perto de St. Petesburgo, a 17 ( 5 pelo antigo calendário) de junho de 1882, e morreu em Nova York, a 6 de abril de 1971. Filho de conhecido cantor da ópera imperial de São Petesburgo, educou-se em excelente meio artístico e cultural. Apesar da precoce vocação para a música, foi encaminhado para um curso de direito. Conheceu então o filho de Rimski-Korsakov, passando a estudar com esse último. Em 1905 abandonou a universidade. Ouvinte entusiasmado de suas primeiras obras, Diaghilev convidou-o a colaborar nos Ballets Russes, para os quais compôs L`Oiseau de feu (O Pássaro de fogo), cuja apresentação em Paris (1910) lhe abriu o caminho da celebridade.

 

Alcançando outro sucesso com Petrouchka (1911), causou escândalo em maio de 1913 com Le Sacre du printemps (a Sagração da primavera). A primeira guerra mundial levou-o a mudar-se para a Suíça, voltando a França em 1919. Nessa época, apresentou-se freqüentemente como pianista e regente, enquanto como compositor se voltava para a pesquisa da tradição clássica européia. Em 1939 perdia a mãe e a primeira mulher, ao mesmo tempo que o início da segunda guerra mundial o fazia trocar a França pelos E.U.A. Nesse país casou-se (1940) com Vera de Bosset e trabalhou durante mais de trinta anos. No começo da década de 1950, encontrou um amigo dedicado na pessoa do jovem regente Robert Craft, que lhe despertou o interesse pela música serial. Em 1963, após quase meio século de afastamento, Stravinsky visitou a U.R.S.S., recebendo carinhosa acolhida do povo russo.

 

Caracterização. Afirmando-se ao lado de Bartók e de Schöenberg, como um dos compositores de maior importância na primeira metade do séc. XX, Stravinsky distingue-se entre seus contemporâneos pelo caráter multiforme, tanto de sua produção, quanto de suas diretrizes estéticas, que refletem as mudanças de meio e vivência sociocultural do seu cosmopolitismo. À medida que se “desenraiza”, que se diversifica em variadas fontes de matéria-prima, cada vez mais seu interesse se concentra no valor da forma, da arquitetura musical, a que traz contribuições vigorosamente renovadoras.

 

Passando, no mínimo, por três fases bem distintas - a da música de fundo russo, ligada à cooperação teatral com Diaghilev; a do chamado estilo neoclássico, norteada pela revalorização criativa de princípios e autores da música européia do séc. XVIII; e a de adesão ao serialismo weberniano – Stravinsky sustenta e desenvolve em todas elas, como em seus muitos trabalhos de transição, a mesma preocupação de reordenar a arte musical e enriquecê-la com novas técnicas e perspectivas. Sua imaginação é tão forte quanto sua racionalidade. Propõe-se, antes de tudo, dominar num processo de depuração e de síntese, os elementos contrastantes de sua experiência, ao mesmo tempo eslava e ocidental.

 

Stravinsky consegue concretizar esse projeto. De um lado, na atitude anti-romântica, mas rebelde, em que promove a fusão do bárbaro e do moderno, do exótico e do universal; de outro lado, principalmente do Oedipus rex (1927) e da Symphonie de psaunes (1930; Sinfonia de salmos) em diante, pela solene dualidade Greco-romana de seu caminho para a religião, o catolicismo. Entre uma e outra orientação, tornam-se mais inteligíveis as razões do período em que se volta para a polifonia pré-clássica e, em particular para Pergolesi. Recuará ainda mais, até a música do séc. XIV, para estruturar sua surpreendente missa de 1948.

 

Defendendo a completa funcionalidade da técnica que requer um novo tratamento para cada obra, Stravinsky alcança admirável domínio artesanal, implanta novas combinações instrumentais, conduz um fluxo melódico que incorpora tudo, desde o folclore russo à liturgia da Igreja romana, alarga o espectro de possibilidades da harmonia tonal e confere ao ritmo um relevo extraordinariamente fértil para o desenvolvimento da música contemporânea. Com sua pluralidade, sua força de tantos entrechoques e contradições, Stravinsky encarna em sua música uma súmula viva das crises e transformações que sacodem o mundo de hoje.

 

Obras. Nenhuma obra de Stravinsky é mais conhecida do que Le Sacre du printemps. Compreende-se a perplexidade dos primeiros ouvintes desses “quadros da Rússia pagã”: a aparente violação de toda a sintaxe musical, a aspereza politonal e do intenso cromatismo das dissonâncias, a polirritmia, o selvagem acento percussivo, a energia vulcânica do colorido orquestral pareciam desmantelar tudo o que se consagrava de teoria e harmonia musical. Mas o fascínio da obra, que permanece, acentua-se na identificação aparentemente paradoxal do que sugere do tumulto da vida moderna, com suas máquinas e explosões; nesse sentido, é a recriação sonora do encontro de dois extremos, o primitivo e o contemporâneo.

 

 


Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional