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Os mais famosos compositores da linha do tempo

SCHUBERT, FRANZ PETER (1797-1828)

Última modificação : Quarta, 11 Junho 2014 17:36



AUSTRÍACO – ERA ROMÂNTICA – 1.009 OBRAS 


 

A trágica e breve vida de Franz Schubert, um dos maiores melodistas, é constantemente encoberta por sua música otimista. Aos 17 anos já atingira a maturidade na composição, e sua vasta produção mostra espantosa fluência, aliada a uma imaginação musical rica e variada. No epitáfio de seu túmulo lê-se: "A música enterrou aqui um rico tesouro mas também esperanças ainda mais belas."


Vida. Franz Peter Schubert nasceu em Viena no dia 31 de janeiro de 1797 e faleceu na mesma cidade no dia 19 de novembro de 1828. Quando criança fez parte do coro da capela imperial da cidade e trabalhou desde 1814 como professor primário, tendo oportunidade de reger pequenos grupos de instrumentistas em igrejas suburbanas de Viena. A partir de 1815 suas composições começaram a atrair a atenção do público, especialmente os seus lieder. Mas sua posição na vida musical vienense sempre foi modesta. Teve sucesso principalmente em círculos boêmios, aliás uma boemia quase burguesa. Esse ambiente inspirou, mais tarde, uma imagem totalmente distorcida de Schubert, como se ele tivesse sido um Don Juan melancólico e infeliz no amor. Tampouco foi uma figura trágica e torturada pelo pressentimento de uma morte prematura. Infelizmente seu nome começou a ser conhecido fora de Viena e da Áustria justamente no momento em que uma doença – talvez a sífilis – pôs um fim prematuro em sua vida. 


As duas vertentes. Schubert vive na consciência de muitos, sobretudo dos leigos, como um compositor tipicamente vienense. Apesar de muitas de suas obras corresponderem a essa definição, existe um outro lado do compositor, profundamente sério, de elevada categoria e um sucessor digno de Beethoven. Entre as suas primeiras obras já existem provas incontestáveis do gênio. 


Música vienense. Grande parte das obras de Schubert é inspirada pelo folclore musical vienense que é bastante diferente do folclore musical das regiões rurais da Áustria, base da inspiração musical de J.Haydn. As obras de Schubert são de um melodismo fácil e insinuante, conhecidas no mundo inteiro: as marchas militares, as danças alemãs, as valsas, sobretudo a famosa “Valsa da Saudade”. No mesmo estilo escreveu também obras de grande formato, como o Quinteto em Lá Maior (1819), denominado “A Truta”, porque um dos movimentos são variações sobre o lied homônimo do próprio compositor. Essa obra foi definida como “de frescor de uma manhã nos campos”. Música parecida é a do Trio para piano e cordas em Si bemol maior (1827). 


Música instrumental séria. Muitos incluem nesse mesmo grupo a famosa Sinfonia Inacabada em si menor (1822). Esta obra não foi, como muitos acreditam, interrompida pela morte do compositor. O trabalho foi abandonado por motivos que se ignoram. A Sinfonia Inacabada é hoje prejudicada pela imensa popularidade dos seus temas, executados sem critério algum. No entanto, as maiores obras instrumentais de Schubert foram realizadas no terreno da música de câmara. 


Estilo. Schubert é clássico e romântico ao mesmo tempo. É clássico quanto à forma e estrutura das suas composições instrumentais, seguidor de Haydn, Mozart e Beethoven. O romantismo de Schubert revela-se, sobretudo, na harmonia de suas obras. Romântico é também o uso de novas formas musicais, na música para piano solo. Situar suas composições dentro do contexto clássico ou romântico sempre foi um dilema. 


Lieder. Schubert é o primeiro grande mestre do lied, do canto de câmara - escreveu cerca de 600. Eles não têm o elemento folclórico e sim a poesia lírica da música. Vários lieder de Schubert, como também suas obras solo, foram interpretados pela primeira vez por ele mesmo em saraus promovidos por seus amigos cultos e influentes. Esses saraus eram conhecidos como “schubertíades”. 


Influências. Quando Schubert morreu, pouco de sua música fora publicado, exceto os lieder e algumas obras maduras. Sua lenta difusão no século XIX limitou sua influência, visto que modulações harmônicas – avançadas para os anos 1820 – pareceram lugar-comum ao serem ouvidas 40 anos mais tarde. Foi R.Schumann quem descobriu e publicou, alguns anos após a morte do compositor, os originais das grandes obras instrumentais de Schubert. 




Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional