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Os mais famosos compositores da linha do tempo

SCHUMANN, ROBERT (1810-1856)

Última modificação : Quarta, 23 Abril 2014 17:45


ALEMÃO – ERA ROMÂNTICA – 268 OBRAS 


 

A musicalidade profunda e sensível de Schumann não buscou as luzes da ribalta, mergulhando o ouvinte, ao contrário, no remoto e enigmático mundo interno do compositor, talvez o mais misterioso do período romântico. Sua música é ao mesmo tempo imaginosa, introspectiva e bombástica. Atrevidamente original, e às vezes impraticável, Schumann captou, como ninguém, o espírito inocente dos primórdios da literatura romântica alemã.



Vida. Compositor alemão, Schumann nasceu em Zwickau, Saxônia,  no dia 08 de junho de 1810 e morreu em Endenich no dia 29 de julho de 1856. Menino prodígio como pianista, também adquiriu notável cultura literária. Desde 1828 aluno do famoso pedagogo Friedrich Wieck, em Leipzig, tornou-se virtuose até 1832, quando uma deformação incurável de um dedo terminou sua carreira pianística. Apaixonou-se por Clara Wieck, a jovem filha do seu professor e já grande pianista, encontrando, porém, a resistência tenaz do pai dela quanto à essa relação. 


Fundou, em 1834, a Neue Zeitschrift für Musik (Nova Revista de Música), que em breve se tornou porta-voz de todos os esforços musicais sérios na Alemanha. Em 1839 casou com Clara, mesmo contra a resistência de Wieck. Mas já apareciam os primeiros sintomas de perturbação mental de Schumann. Em 1850 foi nomeado regente de orquestra em Düsseldorf. Em 1854 tentou suicídio e foi, a seu próprio pedido, internado numa casa mental, onde morreu algum tempo depois. 


Caracterização. Enquanto a obra de Schubert e Mendelsshon ainda pertence, pelo menos parcialmente, ao Classicismo vienense, é Schumann o maior compositor do Romantismo alemão e, talvez, o maior romântico alemão, realizando na música aquilo que na literatura não tinham conseguido realizar os poetas. É certo que há na arte de Schumann um elemento idílico, que talvez possa ser caracterizado como pequeno burguês. Mas é mais forte, em sua obra, o lado noturno do Romantismo, o pessimismo profundo, influenciado por Byron, e os pressentimentos permanentes do fim da loucura.  


Obra pianística. A criação artística de Schumann realizou-se eruptivamente. Muitas obras de valor num curto período de tempo, seguidas de intervalos de produção menos importantes. Em menos de três anos criou suas melhores obras pianísticas, altamente românticas e poéticas, só comparáveis às de Chopin. 


Lieder. Dos numerosos Lieder de Schumann, os mais valiosos foram escritos no ano de 1840. O ponto mais alto é o Liederkreis von Eichendorff (Ciclo de lieder de Eichendorff), os mais belos Lieder românticos, depois de Schubert.  


Música e poesia. Schumann foi um excelente crítico de música, escritor notável, poeta em prosa. Sua música também parece literária. Os títulos das pequenas peças são genialmente escolhidos, mas só foram inventados depois da melodia. Sua poesia musical é cheia de frescor e de melancolia profunda.


Obras maiores. Schumann sempre preferiu as pequenas formas – Lied – sem estrutura arquitetônica, que foi seu lado fraco. Mas certas obras maiores são de alto valor. Das suas quatro sinfonias, a primeira, denominada Frühling (1841 – Primavera) é de encantadora frescura juvenil, e a quarta, em ré menor (1851), de grandeza bethoviniana. O Quinteto para Piano e Cordas, em Mi bemol maior (1842) é de uma beleza extraordinária. E o Concerto para Piano e Orquestra, em lá menor (1845) é a obra mais lírica nesse gênero. 


Influência. Schumann não foi devidamente reconhecido em vida. Só depois da morte tornou-se um dos compositores mais queridos do público. Extravagante, fantástica e grotesca, a alusiva música de Schumann é a apoteose do romantismo. 




Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional