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Os mais famosos compositores da linha do tempo

WEBERN, ANTON (1883-1945)

Última modificação : Sexta, 04 Setembro 2015 16:25



AUSTRÍACO – SEGUNDA ESCOLA VIENENSE – C. 31 OBRAS


O legado de Webern foi relativamente escasso em termos de obras, mas substancial na influência que viria a exercer. Toda sua música é imaculadamente elaborada, e ele trabalhou os procedimentos dodecafônicos de Schoenberg de diversas formas. As peças de Webern são em grande parte extremamente concisas - conseguia comprimir um leque de emoções em poucos compassos -, e se encontram entre as mais importantes do século XX.

 

Vida. Compositor austríaco, Anton Von Webern nasceu em Viena, a 3 de dezembro de 1883, e morreu em Mittersill, perto de Salzburg, a 15 de setembro de 1945. Em 1902 entrou para a universidade de Viena, onde estudou filosofia, musicologia (com Guido Alder) e composição (com Schöenberg a partir de 1904). Formando-se (1906) com uma tese sobre Heinrich Isaak (c.1450-1517), dois anos depois começava a se destacar como regente de orquestra. Em 1914 foi mobilizado e, ao final da guerra, fixou-se em Mödling, perto de Viena: dedicou-se ali ao ensino particular e à colaboração com a sociedade musical Verein für Musikalische Privat-Aufführungen (Associação para Execuções Musicais em Círculos Privados), fundada por Schöenberg para a divulgação de obras de compositores de música moderna.

 

Regressando a Viena (1922), passou a dirigir os Wiener Arbeitersymphoniekonzert (Sociedade de Concertos Sinfônicos para os Trabalhadores Vienenses), iniciativa do governo municipal socialista. Esteve nesse cargo até 1924, fundando um coro de amadores que participava daqueles concertos. Os acontecimentos políticos (1933) fizeram-no interromper essas atividades. De temperamento retraído, Webern nunca se livrou das dificuldades materiais. Durante a ocupação nazista da Áustria, sua música e suas aulas foram proibidas. Com o fim da guerra, mudou-se com a família para uma casa de campo em Mittersill. Pouco depois da libertação de seu país, estava à janela de sua casa quando foi morto por uma bala perdida das forças norte-americanas de ocupação.

 

Caracterização. Inicialmente discípulo ortodoxo de Schöenberg, Webern evolui – sobretudo a partir de suas cinco peças para quarteto de cordas op. 5 (1909) – no sentido de uma orientação estética original, marcada pelo racionalismo formal intransigente e pelo ascetismo de meios e propósitos que faz de sua obra a mais sintética e mais despojada da história da música. O que procura é a expressividade pura do som, separada de quaisquer componentes emocionais ou literários.

 

Mantendo em comum com Schöenberg a atonalidade e mais tarde - com o Op.17 Drei geistliche Volkslieder (1824; Três canções sacras populares) – a técnica de 12 sons, Webern radicaliza e leva a diante os princípios do mestre, tendendo a afastar da composição atonal tudo o que pudesse conter de retórico, romântico ou tradicional.

 

Mesmo enquanto permanece na trilha do Expressionismo, sua criação musical revela extrema síntese, configurando uma arquitetura de sutilezas sonoras e essenciais, espécie de geometria abstrata da sensibilidade e do som, cujo rigor formal exclui inteiramente os pressupostos lógicos, quer melódicos, quer harmônicos ou rítmicos. As obras dessa fase são extremamente lacônicas, com duração de poucos minutos.

 

Levando as normas de Schöenberg às últimas conseqüências, Webern afirma-se como um dos representantes mais influentes da chamada Escola de Viena. Sua presença é evidente na base do serialismo contemporâneo de Boulex, Luigi Nono, Stockhausen; chegou enfim, a mudar o rumo da música do próprio Stravinski. Principal fundamento das vanguardas musicais do mundo inteiro, Webern é paradoxalmente considerado tanto o precursor da música abstrata, quanto da música concreta e, em todo caso, um dos maiores compositores do séc. XX.

 

Depois de retornar às formas do contraponto intelectual de Schöenberg, Webern orienta sua obra definitivamente pela escala dodecafônica, da qual se torna o compositor mais radical, conferindo-lhe uma linguagem própria e severamente adaptada à estrutura global de cada peça. Compõe então obras um tanto mais extensas, se bem que a técnica pontilhista e o caráter aforístico dos temas se salientem ainda mais.

 


Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional