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Os mais famosos compositores da linha do tempo

WAGNER, RICHARD (1813-1883)

Última modificação : Quarta, 15 Janeiro 2014 17:26


ALEMÃO – ÓPERA ROMÂNTICA – 43 OBRAS


 

Richard Wagner reinventou a ópera como drama musical. Sua meta era criar um "Gesamtkunstwerk" - uma "obra de arte total" - combinando poesia, drama, música, canção e pintura. Escreveu texto e música de seus dramas musicais maduros e supervisionou a montagem e o espetáculo como seu próprio diretor e regente. Construiu o Festpielhaus em Bayreuth como palco ideal para o seu Ciclo do Anel e sua última grande obra, Parsifal.

 

Vida. Compositor e dramaturgo alemão, Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipzig a 22 de maio de 1813 e morreu em Veneza a 13 de fevereiro de 1883. Como estudante em Dresden, ocupou-se, como autodidata, com música e adquiriu vastos conhecimentos literários. Quando estudante da universidade de Leipzig continuou mais sistematicamente os estudos musicais; escreveu uma Sinfonia em Dó maior e outras obras de música instrumental. Nomeado regente do teatro municipal de Magdeburg, casou com a cantora Minna Planer; mas o matrimônio tornou-se muito infeliz. Em 1837 foi diretor musical do teatro alemão em Riga e em 1839 tentou a sorte em Paris, onde viveu na miséria.

 

Depois do sucesso de O Navio fantasma (1841), foi em 1842, nomeado diretor da ópera em Dresden. Influenciado pelas idéias de Proudhon, participou em 1849 da revolução em Dresden, fugindo depois para Zurique. Ali escreveu suas mais importantes obras teóricas: Das Kunstwerk der Zukunft (1850; A obra de arte do futuro) e Oper und Drama (1851; Ópera e drama). A leitura assídua de Schopenhauer transformou-o em pessimista quase místico e o amor a Mathilde Wesendonck, esposa do seu mecenas, inspirou-lhe Tristan und Isold (1859). Em 1861, Tannhäuser foi representado em Paris, mas foi vaiado, intensificando-se cada vez mais o nacionalismo alemão de Wagner. O rei Luís II da Baviera chamou-o (1864) para Munique, colocando à sua disposição grandes recursos financeiros para realizar suas idéias de um novo drama musical.

 

Em Munique começaram as relações com Cosima, filha de Liszt e esposa do regente Hans Von Bülow, que tinha feito a propaganda da música de Wagner. Conseguidos os divórcios de Wagner e Cosima, casaram em 1870, vivendo em Triebschen (Suíça). Até então tinha sido Wagner tenazmente combatido pelos músicos conservadores (Brahms, Joachim) e pela imprensa liberal. Mas depois da guerra de 1870, os círculos oficiais começaram a apoiar o compositor nacionalista. Em 1872, Wagner fixou residência na Vila Wahnfried em Bayreuth, rodeado de um grupo de admiradores fanáticos (os “wagnerianos”). Em 1876 foi em Bayreuth inaugurado o Festpielhaus (Teatro de Festivais), dedicado à representação exclusiva das obras de Wagner.

 

Neo-romantismo. Em Der fliegend Holänder (1841; O Navio fantasma), que trata a lenda do holandês errando pelos mares e de sua redenção pelo amor de uma mulher, ainda são fortes as influências de Weber e outras. Mas é a primeira obra de Wagner que revela seu estilo próprio, a instrumentação impressionante e a adaptação perfeita da linha melódica ao texto. Tannhäuser (1844) já é uma obra-prima, de forte dramaticidade, embora ainda ópera em estilo convencional. O romantismo de Wagner aprofundou-se, nesses anos pela leitura de Schopenhauer e pela descoberta das possibilidades poéticas das lendas medievais. Em Lohengrin (1848) rompeu Wagner com o esquematismo da ópera convencional; as cenas são

durchkomponiert, isto é, as árias e coros não são interrompidos por diálogos ou recitativos, constituindo cada cena uma unidade musical completa, e os momentos dramáticos são focalizados por motivos que sempre voltam (Leitmotive). É o primeiro drama musical.

 

As obras-primas. Der Ring des Nibelungen (O anel do Nibelung), obra iniciada já no começo dos anos 1850, só foi  concluída em 1874; Tristan und Isolde (1859); Die Meistersinger Von Nürnberg (1867; Os Mestres-cantores de Nuremberg); Das Rheingold (1854; O Ouro do Reino); Die Walküre (1856; As Valquírias); Siegfried, foi iniciada em 1856; Götterdämmerung (1874; Crepúsculo dos deuses); Parsifal (1882).

 

Influência. Wagner, embora tão combatido em vida, exerceu sobre a música alemã uma influência avassaladora. Mas de todos os seus adeptos só Bruckner, na sinfonia, e Hugo Wolf, no lied, conseguiram produzir algo de original. No terreno próprio de Wagner, na ópera, fracassaram todas as tentativas (com a única exceção de Richard Strauss) de continuar-lhe o caminho. Por volta de 1910, a influência de Wagner na Alemanha, ainda forte por motivos políticos e filosóficos, já foi nula na música. Essa influência foi muito mais forte na França, onde o wagnerismo teve adeptos apaixonados em toda a época entre Baudelaire e Proust.

 

Política. O impacto de Wagner sobre os círculos intelectuais franceses é surpreendente, numa época de nacionalismo germanófobo. Indubitavelmente, Wagner foi um fanático nacionalista alemão e inimigo da França. Os wagnerianos foram pangermanistas e seus maiores admiradores seriam, mais tarde, os nazistas. Contra esse fato não adianta citar o proudhonismo revolucionário de Wagner na mocidade - a idéia fundamental do Ring des Nibelungen ainda é a maldição inerente ao ouro. Mas o wagnerianismo em sentido político e filosófico já desaparece. O que importa é a música.

 

Dramaturgia. Wagner escreveu, ele próprio, todos os seus libretos. Seu talento como poeta é inexistente: os versos, sem a música, são quase sempre ridículos. Em compensação, foi Wagner um grande dramaturgo. Seu gênio duplo, de dramaturgo e de compositor, levou-o a retomar a reforma da ópera, já tentada um século antes por Gluck, subordinando a música ao enredo dramático criando o drama musical. Ao drama também quis subordinar a cenografia, retomando a idéia romântica do Gesamtkunstwerk (obra de arte total). Usando com virtuosismo todos os recursos do palco ilusionístico, Wagner é, antes de tudo, um grande homem do teatro.

 

A música. A essa arte teatral subordinou Wagner a sua música, que hoje é capaz de existir e de impressionar mesmo fora da casa de ópera. Suas artes de orquestração, influenciadas por Berlioz, são  incomparáveis e sua arte de adaptar a melodia à língua é personalíssima. Contra esses fatos não prevaleceu o antiwagnerismo nacionalista de Debussy, e hoje é o compositor vanguardista Pierre Boulez um dos maiores regentes das obras de Wagner.

 

Romantismo e modernismo. Em plena época industrial Wagner recriou o Romantismo; o que explica, em grande parte, o entusiasmo dos simbolistas franceses. A música de Wagner é mesmo a consumação do Romantismo alemão, dizendo em acordes o que não conseguiu dizer em palavras. Mas também é a crise do Romantismo, pois o preço foi a quase total dissolução do sistema harmônico em Tristan und Isold, sua obra que foi e continua sendo a base da música moderna.

 

O último grande obstáculo da recepção moderna de Wagner, depois do desaparecimento das suas idéias políticas, foi seu uso de um ilusionismo pomposamente barroco no palco, que é insuportável no séc.XX. Mas esse obstáculo foi eliminado pelas artes de direção do seu neto Wieland  Wagner (1917-1966), que criou em Bayreuth a partir de 1946, novas encenações de Tristan und Isolde, Meistersinger, Ring e Parsifal, sem falso realismo, de feição puramente simbólica.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional