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Os mais famosos compositores da linha do tempo

VELASQUEZ, GLAUCO (1884-1914)

Última modificação : Sexta, 27 Novembro 2015 16:11



Velásquez nasceu em Nápoles, Itália, no dia 22 de março de 1884 e faleceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1914. Foi um compositor de curtíssima, mas brilhante aparição no cenário brasileiro no início do século XX.


Era filho do barítono português Eduardo Medina Ribas e de Adelina Alambry, de importante família carioca. A gravidez inesperada de Adelina obrigou o casal – que não casado legalmente – a mudar-se para a Europa para dissimular o nascimento da criança e evitar um escândalo.

 

Na primeira infância, Velásquez foi confiado a uma família italiana e, desde cedo, mostrou interesse pela música, cantando no coro de várias igrejas napolitanas. Trazido para o Brasil com 11 anos de idade, foi morar com sua mãe biológica, instalada em um refúgio na Ilha de Paquetá, embora sendo apresentado a todos como seu filho adotivo.

 

Tentou ingressar no Instituto Nacional de Música para aprender violino, mas não teve sucesso. Começou a compor em 1902 e, finalmente, conseguiu ser matriculado nesse instituto através da interferência de Francisco Braga, amigo da família. Estudou harmonia com Frederico Nascimento, de tendência liberal e progressista, e suas obras deste período mostram o emprego de técnicas wagnerianas e outras derivadas da escola de César Franck.

 

Em 1911, estreou publicamente como compositor, mas a esta altura, já se encontrava doente de tuberculose. Diversas personalidades musicais assinaram uma petição – infrutífera – ao Congresso Nacional para que Velásquez fosse enviado à Europa para aperfeiçoar-se musicalmente, como também, tentar um tratamento.

 

Foi um dos mais avançados compositores brasileiros de sua geração, com uma obra de caráter revolucionário cuja linguagem, no final de sua curta carreira, se aproximava de E.Satie e empregava recursos como a politonalidade e mesmo passagens atonais. Foi um dos que retornaram ao uso do contraponto, então bastante desprezado como arcaísmo, mas fazendo isso de forma moderna.

 

O mérito de seu trabalho foi reconhecido ainda em vida por Luciano Gallet, Francisco Braga, Xavier Leroux, Darius Millhaud, e muitos outros ligados à música de vanguarda e o conjunto de sua obra tem sido objeto de um renovado interesse por parte de pesquisadores e executantes contemporâneos. Logo após a sua morte, foi constituída a Sociedade Glauco Velásquez para promover a divulgação de seu legado. Ele é também Patrono da Cadeira nº37 da Academia Brasileira de Música.

 

Entre as suas obras, destacam-se: um Quarteto de Cordas, a ópera inacabada Soeur Beatrice e o Trio nº4, que foi finalizado por Milhaud. Compôs, ainda, diversas outras peças de câmara, gênero em que conseguiu melhores resultados. Na música vocal, deixou uma série de canções de cunho fortemente lírico e romântico, explorando variadas atmosferas e, muitas vezes, chegando a tons pessimistas e mórbidos, mas que são interessantes pela sua linguagem harmônica ousada e pela técnica declamatória altamente expressiva, das quais merecem menção A Fada Negra, Romance, Alma Minha Gentil, Na Capela e Mal Secreto.

 



Fonte: Wikipaedia.com