ConcertinoPortal de pesquisa da música clássica

Os mais famosos compositores da linha do tempo

VILLA-LOBOS, HEITOR (1887-1959) - BRASIL

Última modificação : Sexta, 07 Março 2014 18:30


HEITOR VILLA-LOBOS (1887-1959)

BRASILEIRO – ESCOLA NACIONAL LATINA – c.1.000 OBRAS

 

O BRASIL NA ÉPOCA DE VILLA-LOBOS

 

A vida e a obra de Villa-Lobos estão associadas a um dos períodos mais importantes da história do Brasil. Os anos de sua juventude coincidiram com a construção turbulenta do século XX, um século em que o tempo ganhou, gradativamente, mais velocidade e as distâncias foram aproximadas. O espírito desbravador de Villa-Lobos acompanhou o percurso sinuoso que o Brasil trilhou, guiado politicamente por uma ordem internacional, em que duas grandes guerras mundiais estabeleceram novas fronteiras territoriais e ideológicas, marcando um tempo em que o apego aos valores nacionais se tornou um traço do momento histórico para justificar a própria existência humana.

 

Villa-Lobos nasceu um ano antes da promulgação da Lei Áurea, ainda no Brasil Império. Morreu no ano em que Brasília começou a ser construída e dois anos após o acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre a instalação de uma base de teleguiados em Fernando de Noronha. Esse foi o nível de transformações esculpidas pelo tempo durante a sua existência.Pelo prisma musical, sua obra foi contemporânea à de Claude Debussy (1862-1918), Arnold Schoenberg (1874-1951) e Igor Stravinsky (1882-1971), ou seja, dos protagonistas engajados na busca de novos caminhos para a linguagem musical no princípio do século XX. Internamente, sua produção musical é sincrônica ao momento de estruturação da música popular brasileira, como Chiquinha Gonzaga (1847-1935), Ernesto Nazareth (1863-1934) e tantos outros, tornando natural a presença de valores da cultura popular em sua obra.

 

Já no início do século, sua produção construía uma linguagem apoiada em tais valores, revelados precocemente nas obras Uirapuru e Amazonas, ambas de 1917. Em linhas gerais, sua estética individual se alinharia com algumas das tendências mundiais, entre elas o nacionalismo e o neoclassicismo, entre tantas outras direções estéticas da época.Contudo, como compreender a contradição entre a popularidade do nome Villa-Lobos no Brasil e tão profundo desconhecimento de sua produção musical? Como fazer saber aos brasileiros que além do Trenzinho do Caipira e da Ária da Bachianas nº 5 existe um vasto catálogo de obras incluindo o arrojado ciclo dos 16 Choros (anos 20), as 12 sinfonias (1916-57), inúmeros concertos para instrumentos solistas e orquestra, as 9 Bachianas Brasileiras (1930-45), um número imenso de obras camerísticas, vocais, corais, seus 17 quartetos de cordas, entre outras. Villa não costumava revisar suas obras – dizia que ao invés disso poderia escrever uma nova. O resultado é que as editoras estrangeiras que detém seus direitos não se submetem aos gastos necessários com revisão, pois não são lucrativas comercialmente.

 

Villa-Lobos é o compositor brasileiro mais tocado no Brasil e no exterior. Os royalties gerados com a sua arrecadação mantém a Academia Brasileira de Música, organismo por ele fundado. A ABM continua editando partituras de autores brasileiros, o que nos leva a concluir que Villa, mesmo depois de morto, continua fazendo girar a roda d`água que produz nossa música. Villa-Lobos é, portanto, parte fundamental da história musical brasileira.

 

Villa-Lobos - Vida                    

Villa-Lobos – Obras                    

Villa-Lobos – O Brasil da época 

 

Fonte: Revista Concerto, junho de 2007