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Os mais famosos compositores da linha do tempo

CAGE, JOHN (1912-1992)

Última modificação : Sexta, 05 Setembro 2014 14:18


 

AMERICANO - MÚSICA MODERNA AMÉRICA DO NORTE - 229 OBRAS



John Cage deve ter sido o compositor mais original da história da música ocidental. Seu projeto de vida era repudiar integralmente a tradição ocidental, mas não num espírito de mágoa ou negativismo. Mesmo no nível mais caótico, sua música reflete uma exuberante afirmação da vida. Usou procedimentos aleatórios para libertar os sons dos efeitos "coersitivos" das regras e intenções humanas, de forma que pudessem ser "eles mesmos".

 


Vida. Músico norte americano, nasceu em Los Angeles a 05 de setembro de 1912. Foi para Nova York estudar harmonia, estudos que prosseguiu com Arnold Schöenberg. Cage participou posteriormente do grupo de pesquisas de Henry Cowell, em São Francisco, e da organização de um grupo de dança moderna. Em 1949 ganhou o prêmio da Society of Arts and Letters. Morreu eu Nova York, em 12 de agosto de 1992.

 

Atividades. Confessando a Schöenberg sua falta de senso para a harmonia e recebendo deste a resposta de que isso seria um muro intransponível, Cage afirmou que devotaria a sua vida a bater com a cabeça no muro. Abandonou a ênfase dada pela música ocidental às relações tonais, dedicou-se à exploração do ritmo, dos timbres e das durações de tempo. Suas composições iniciais para piano foram aplicações rigorosas dos princípios seriais, mas depois desenvolveu ideias musicais próprias.

 

No final da década de 1930, criou o prepared piano (piano preparado), que consiste na inserção de materiais diversos - cortiça, metal, madeira - entre as cordas do instrumento, ampliando assim a sua gama de timbres. Transformou o piano num conjunto percussional com o controle de um só instrumentista. Explorou, também, as durações de tempo, as pausas, as repetições rítmicas, considerando a duração musical como princípio diretor e citando Erik Satie e Anton von Webern como os precursores de um novo modo de construção, cujas origens estariam na música oriental e na ocidental pré-renascentista. São exemplos desse período as sonatas e 4 interlúdios para piano preparado (1946-1948).

 

Cage dedicou especial atenção à obra de Edgar Varèse e ao seu princípio do "som organizado", a explosão dos ruídos com função musical. As versões de Imaginary landscape (1938, 1939 e 1941; Paisagem imaginária) são exemplos desse processo. Sendo a percussão o recurso básico de sua música, destacam-se nela obras percussivas como Constructions in metal (1937, 1938 e 1940; Construções em metal). A exploração das variações e durações de tempo são sensíveis em Music of Changes (1952; Música de transformações), assim como no Concerto para piano preparado e orquestra (1957-1958).

 

Autor de dois livros de repercussão, Silence (1961; Silêncio) e A Year from Monday (1967; Um Ano desde segunda-feira), neles disserta sobre os seus processos. Rejeitando o conceito de expressividade na música, suas concepções conduziram-no ao aleatório como elemento determinante da obra, declarando seguir os princípios que regem o livro chinês I Ching. É exemplo disso HPSCHD (1969), que oferece ao ouvinte uma programação de computador para recompor a música em nova gravação. Exemplo da imitação como metalinguagem musical é Cheap imitation (1969; Imitação barata) em que imita os processos pianísticos de Erik Satie.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional