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Os mais famosos compositores da linha do tempo

SCARLATTI, GIUSEPPE DOMENICO (1685-1752)

Última modificação : Domingo, 23 Junho 2013 13:28


 

ITALIANO - ERA BARROCA - c.717 OBRAS

 

As maiores contribuições do cravista e compositor Domenico Scarlatti, filho de Alessandro Scarlatti, foram suas sonatas para teclado em um único movimento, raras delas publicadas durante sua vida. Embora nascido no mesmo ano que J.S.Bach e Haëndel, o estilo composicional leve e homofônico de Scarlatti é mais característico do período clássico anterior, revelando também inovadoras abordagens da harmonia.

 

 

Vida. Compositor de música para o cravo, filho de Alessandro Scarlatti, Giuseppe Domenico Scarlatti nasceu em Nápoles a 26 de outubro de 1685 e morreu em Madrid a 23 de julho de 1757. Fez seus primeiros estudos com o pai e começou sua carreira como organista da capela real de Nápoles. Acompanhou o pai a Florença, que o confiou depois a Francesco Gasparini, em Veneza. Ali chamou a atenção do cravista inglês Thomas Roseingrave e conheceu também Haëndel, com quem se encontrou outra vez em Roma, em 1708. Em Roma serviu à rainha Maria Casimira, da Polônia, entre 1708 e 1714, compondo óperas para o seu teatro doméstico.

 

Scarlatti trabalhou depois no Vaticano e entrou em contato com a embaixada de Portugal em Roma. Há notícias de que esteve em Londres, mas sem indícios de atividades ali. Em 1720 foi chamado para dirigir a capela real de Lisboa e para ser o mestre da infanta Maria Bárbara. Quando esta se casou, em 1729, com o príncipe de Astúrias, depois Fernando VI, Scarlatti seguiu para Madrid, onde viveu o resto de sua vida.

 

Caracterização. Domenico Scarlatti foi o maior compositor de música para cravo de seu tempo, só sustentando paralelo com a dele a música para cravo de J.S.Bach, seu contemporâneo, de quem foi, entretanto, muito diferente. Contemporâneo de Bach e Haëndel, sendo, este último, admirador incondicional durante toda a vida, Domenico Scarlatti foi já homem de outro tempo, abandonando o estilo contrapontístico para pesquisar outras relações harmônicas em suas sonatas para cravo. Nesse sentido, foi o precursor de toda a música moderna para o teclado, do cravo ao piano, para o qual muitas de suas sonatas foram adaptadas.

 

Obra. A carreira musical de Domenico Scarlatti começou, naturalmente, com a ópera, devido à ascendência paterna no seu espírito. Compôs pouco mais de uma dezena de óperas, que não sobreviveram no repertório. Sobreviveram árias isoladas como a bela melodia de Consolati e spera, publicada nas coletâneas de Arie antiche. Foi também compositor de oratórios e cantatas, além de árias e cantatas de câmara. De sua música litúrgica são citados um Stabat Mater a dez vozes com acompanhamento de órgão, e uma Salve Regina, para canto solo com violino.

 

Todo o gênio de Domenico Scarlatti está, contudo, concentrado nas suas sonatas para cravo. Em vida do compositor foram publicadas apenas edições muito limitadas dessas sonatas, das quais a mais famosa é a edição inglesa Essercizi per il gravicembalo (1738; Exercícios para o cravo). Foi preciso esperar o século XX, para que, em 1906, Alessandro Longo iniciasse a edição das Opere complete per clavicembalo (Obras completas para cravo), contendo 545 sonatas, em sua maioria inéditas.

 

São peças curtas, que parecem ter sido destinadas ao ensino ou para a exibição do grande virtuose que foi Domenico Scarlatti. Transcendem, entretanto, de muito essas finalidades, e dão testemunho de uma imaginação harmônica extraordinária e de um espírito complexo, dramático e sombrio na Sonata nº 422, em ré menor, ou festivo em seus ritmos de dança na Sonata nº 463, em Ré maior. Uma das mais famosas, pela explosão temperamental, é a de nº 499 (edição de Longo), em sol menor, denominada Fuga de gato. Modulações audaciosas, contrastes rítmicos e fortes dissonâncias caracterizaram a arte precursora de Domenico Scarlatti.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional