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Os mais famosos compositores da linha do tempo

JANÁCEK, LEOS (1854-1928)

Última modificação : Quarta, 30 Setembro 2015 16:29


 

TCHECO - ESCOLAS NACIONAIS - LESTE EUROPEU - c.150 OBRAS

 

Janácek está entre os compositores de ópera mais importantes do século XX. Tinha perto de 50 anos ao concluir sua primeira ópera bem sucedida, Jenufa, e todas as suas obras mais conhecidas foram escritas depois dela. Talvez mais que qualquer outro compositor nacionalista, aspectos da música folclórica natal foram parte essencial de sua veia composicional.

 

 

Vida. Compositor tcheco, Leos Janácek nasceu em Hukvaldy, Morávia, a 03 de julho de 1854 e morreu em Ostrava a 12 de agosto de 1928. De origem humilde, estudou pedagogia e órgão e foi em 1880 nomeado professor de música na escola normal de Brno. Ali passou a vida inteira, organizando coros, colecionando (1892-1901) as canções populares da Morávia. Desprezado como músico provinciano, sua rica obra de compositor ficou completamente desconhecida do público fora da Morávia. Só em 1916 conseguiu a estreia, em Praga, de sua ópera Jenufa, que também teve grande sucesso em Viena (1918). Nos últimos anos de sua vida, a partir de 1923, veio-lhe enfim a celebridade internacional.

 

Estilo. A música de Janácek é intencionalmente realista. Às vezes é inspirada por surpreendente paixão erótica, como nos dois grandes quartetos de cordas (1923-1928). Mas sempre é popular, adaptando-se, nas obras de música vocal, ao ritmo e às influências da língua tcheca. A canção popular é a maior fonte de sua inspiração. É evidente a influência de Mussorgski, mas o estilo é diferente. É impressionista, algo parecido com o de Debussy, de cuja arte teve, porém, conhecimento só muito tarde.

 

Humanismo. A música de Janácek também é diferente da de Debussy pela ideologia do compositor tcheco, que se proclamou humanista, infenso a todo esteticismo. O engajamento de Janácek é de natureza política: é pan eslavista, ou antes, nacionalista eslavo, e é socialista.Na  rapsódia sinfônica Taras Bulba (1918) homenageou, alegoricamente, a Revolução Russa. As primeiras grandes obras do seu eslavismo popular são os coros Marycka Magdonova (1908) e 70.000 (1909), sobre poesias de Bezruc. Profissão de fé socialista é a Sonata para piano 1/X/1905 (1905), dedicada à memória de um operário morto em Brno pela polícia naquela data. A obra-prima de Janácek é a grande Glagolská mse (1926; Missa glagolítica), em que usa o texto páleo eslavo da liturgia para manifestar sua fé no futuro socialista do povo tcheco.

 

Óperas. Fora da Tchecoslováquia, Janácek tornou-se mais conhecido pelas suas óperas. Jenufa (1903), a mais conhecida de todas, é uma autêntica obra popular. Vylet pánè Broucek do mèsice (1917; A Viagem do Sr. Broucek para a lua) é uma sátira. Vèc Makropoulos (1925; O Caso Macropulos), com libreto de Karel Cepek, trata um enredo altamente fantástico. Na fábula Prihody lisky bystrovsky (1923; A Pequena raposa astuta), os cantores usam máscaras que representam animais.

 

As duas grandes óperas trágicas de Janácek são Katia Kabanova (1921), com libreto tirado de Groza (A Tempestade) de Ostrovski e Z mrtveho domu (1928; Da Casa dos mortos), com libreto tirado de Dostoievski. A arte de Janácek é o caso raro de uma música autenticamente popular e, no entanto, realizada com todos os recursos de composição moderna.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional