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Os mais famosos compositores da linha do tempo

CZERNY, CARL (1791-1857)

Última modificação : Domingo, 11 Agosto 2013 11:36


AUSTRÍACO - ERA ROMÂNTICA - c.1.800 OBRAS 

 

Carl Czerny nasceu a 21 fevereiro de 1791, em Viena, Áustria, capital do Império Austro-Húngaro, e faleceu em Viena, a 15 de Julho de 1857. Foi pianista, compositor e professor. Czerny teve entre seus professores de música, Clementi, Hummel, Salieri e Beethoven e, entre seus alunos, Franz Liszt. Czerny é mais conhecido atualmente por seus livros de exercícios e estudos para piano. Entretanto, a produção musical de Carl Czerny é vasta, abrangendo diversos gêneros musicais, e vem passando por um processo de redescoberta.

 

Nasceu em uma família de origem checa. Seu pai, Václav Czerny, chegou à Viena de Nymburk, Boêmia, sendo que Carl não aprendeu alemão até completar os dez anos. Ele recebeu lições de piano do seu pai antes de assistir aulas de Johann Nepomuk Hummel, Antonio Salieri e Ludwig van Beethoven. Além dessas aulas, Czerny também participou de cursos que Muzio Clementi manteve em Paris, Viena, São Petersburgo, Berlim, Praga, Roma e Milão.

 

Czerny era um menino prodígio. Ele fez a sua primeira apresentação ao público em 1800, tocando o Piano Concerto No. 24 em dó menor, de Mozart. Mais tarde, ele fez a estreia mundial do Concerto para Piano Nº 5, 'Imperador', de Ludwig van Beethoven, em Viena, 1812.

 

Em 1801, o compositor e harpista Jean-Baptiste Krumpholz agendou uma apresentação de Carl Czerny na casa de Beethoven, o qual ficou tão impressionado com a perfomance de Czerny de sua Sonata Pathétique que tomou o menino, então com dez anos, como aluno. Czerny permaneceu sob a tutela de Beethoven por três anos, tornando-se posteriormente seu assistente. Czerny escreveu em sua autobiografia que sua memória musical o permitia tocar todas as obras de Beethoven, sem exceção, sem necessidade de partituras, e que durante os anos 1804-1805 ele era chamado para tocar para o Príncipe Lichnowsky's uma ou duas vezes por semana.

 

Importantes passagens históricas da vida do compositor Ludwig van Beethoven são oriundas de relatos de Carl Czerny em sua autobiografia e cartas: aos dez anos de idade, Czerny foi o primeiro a notar e a relatar sintomas da surdez de seu mestre, anos antes desse fato tornar-se público: " Eu também notei, com a acuidade visual peculiar de uma criança, que ele (Beethoven) tinha algodão nos ouvidos, dos quais escorria um líquido amarelo."

 

Czerny manteve um estreito relacionamento com Beethoven por toda a sua vida, dando aulas de piano para Carl Beethoven, sobrinho de Beethoven, e fazendo a revisão de suas obras antes de serem impressas. Czerny escreveu um livro sobre a técnica de execução de cada uma das Sonatas de Beethoven.

 

Não demorou muito até que Czerny começasse a dar aulas e, aos quinze anos, ele já era um professor muito procurado. O seu aluno mais notável foi Franz Liszt, que dedicou seus doze Études Transcendentais a Czerny, além de ter-lhe envolvido na sua obra colaborativa Hexaméron (a quinta variação do tema de Bellini é dele). Outros alunos notáveis de Czerny incluem Sigismond Thalberg, Stephen Heller, Alfred Jaëll, Teodor Leszetycki, Theodor Kullak, Theodor Döhler e Anne Caroline de Belleville.

 

Livros de estudos e exercícios

Czerny é conhecido especialmente por suas inúmeras peças didáticas para piano, sendo que várias delas ainda hoje são usadas, como A Escola da Velocidade e A Arte da Destreza dos Dedos. Czerny foi um dos primeiros compositores a usar étude (estudo) no título de uma obra. Czerny escreveu o livro "Cartas a uma jovem acerca da arte de tocar piano" e um grande número de livros com exercícios de técnica pianística, concebidos para abranger as dificuldades técnicas desde as primeiras lições para crianças até as necessidades dos mais avançados virtuosos:

 

100 Estudos Progressivos sem Oitavas, Op. 139;

125 Exercícios para treinamento da passagem de dedo, Op. 261;

A escola da velocidade, Opus 299;

40 Exercícios, Op. 337;

Método prático para Iniciantes, Op. 599;

Escola Preparatória da velocidade, Op. 636;

24 Estudos para a mão esquerda, Op. 718;

A Arte da Destreza dos dedos, Op. 740;

Estudo para os cinco dedos, Op. 777;

160 Exercícios de 8 compassos, Op. 821;

O Pequeno Pianista, Op. 823;

30 Novos estudos e técnicas, Op. 849.

Czerny também deixou um ensaio acerca da correta execução das sonatas para piano de Beethoven.

A edição de Carl Czerny, com anotações de dedilhado e de expressão, da obra de Johann Sebastian Bach "O Cravo bem temperado" exerceu enorme influência nos séculos seguintes.

 

O legado de Carl Czerny

Carl Czerny pode ser considerado o patrono da moderna técnica pianística e base de várias gerações de grandes pianistas que se estendem até os dias de hoje. Vários alunos de Czerny, tais como Theodor Leschetizky, Franz Lizst e Theodor Kullak, também foram renomados professores e passaram adiante o legado de Czerny.

 

Composições

Czerny compôs um grande número de peças (até o opus 861), constituídas não apenas de obras para piano, mas também missas, sinfonias, concertos, sonatas, variações, quartetos de cordas, noturnos, canções e música de câmara. Suas composições  ainda incluem arranjos de temas de óperas feitos para quatro, seis e até oito mãos.

 

O próprio Czerny, em sua autobiografia, dividiu sua obra musical em quatro categorias: 1) estudos e exercícios; 2) peças fáceis para estudantes; 3) peças brilhantes para concertos (obras em geral em formato de variações concertantes); e 4) música séria (categoria menos conhecida de sua obra e na qual se incluem sinfonias, sonatas, quartetos, missas, canções, Noturnos e Música de Câmara).

 

Em junho de 2002, o Wirth Institute for Austrian and Central European Studies da University de Alberta em Edmonton, Canada, realizou o "Carl Czerny Music Festival and International Symposium", sob a direção artística do pianista canadense Anton Kuerti. O Festival consistiu de várias conferências acerca de diversos aspectos da obra e da vida de Carl Czerny, bem como um grande número de estreias mundiais de obras pertencentes ao catálogo da Sociedade dos Amigos da Música de Viena.

 

Desde o festival, a visão que se tinha de Carl Czerny como sendo um compositor apenas de obras didáticas para piano vem sendo questionada. Diversas obras esquecidas por mais de 150 anos, estão ganhando sua estreia mundial nas últimas décadas, graças ao esforço de músicos como Anton Kuerti, Martin Jones, Isabelle Oehmichen, Grzegorz Nowak, entre outros.

 

Seus hábitos eram simples, sua vida e sua fala de incomum pureza. Sua saúde se viu abalada em 1854. A gota atacou seu braço, que precisou ser imobilizado. Ele continuou a compor enquanto a doença se espalhava. Suas últimas obras foram um ofertorium e uma sonata, escritos quatorze dias antes de sua morte, que ocorreu a 15 de julho de 1857.

 

Czerny morreu em Viena, aos 66 anos. Ele jamais se casou e não tinha nenhum parente próximo. Antes de sua morte, ele dispôs de sua considerável fortuna, amealhada como professor e editor musical, para instituições de caridade, sua governanta e para a Sociedade de Amigos da Música de Viena. Seu testamento foi feito com a ajuda de seu amigo, o advogado Leopold von Sonnleithner.

 

Em 1842, publicou um livro autobiográfico, Erinnerungen Aus Meinem Lebem (Memórias de Minha Vida).

 

Nas palavras de Czerny, a música era para ele sua única alegria, sua única ocupação, sua missão e seu maior ideal.

 

 

Fonte: Wikipedia.org