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Os mais famosos compositores da linha do tempo

RAMEAU, JEAN-PHILIPPE (1683-1764)

Última modificação : Sexta, 26 Junho 2015 16:58


 

FRANCÊS - ERA BARROCA - 76 OBRAS

 

Jean-Philippe Rameau não foi apenas o compositor francês mais importante do século XVIII, como também influenciou a teoria musical. Seu estilo de composição lírica pôs fim ao reinado póstumo de Lully, cujo modelo fora seguido por meio século. Também cravista e organista, Rameau escreveu diversas peças para teclado. Suas obras ricamente ornamentadas destacam-se como a síntese do estilo rococó.

 

Vida. Compositor francês, Jean-Philippe Rameau nasceu em Dijon a 25 de setembro de 1683 e morreu em Paris a 12 de setembro de 1764. Filho de um tocador de órgão, foi por ele enviado à Itália quando tinha 18 anos de idade. Voltou de Milão, decepcionado com a música italiana. Foi organista em diversas cidades da França, antes de se estabelecer em Paris, em 1722.

 

Projeção. Em Clermont-Ferrand passa sete anos, em relativa reclusão, estudando e preparando seu livro de teoria musical, Traité de l´harmonie (1722; Tratado de harmonia). Atacada pelos músicos tradicionalistas, a obra chama a atenção para o autor. Em 1724 publica seu segundo livro de peças para o cravo (o primeiro é de 1705), e torna-se um dos compositores mais conhecidos da França. Rameau é, como Domenico Scarlatti e J.S.Bach, um dos fundadores da música moderna. Seu tratado sobre a harmonia constitui a base teórica do sistema tonal que permaneceu em vigor até Schöenberg.

 

Em 1730, Rameau trava conhecimento pessoal com Voltaire, que exercerá poderosa influência intelectual sobre ele, até o fim de sua vida. Mas, outros enciclopedistas como Russeau e Diderot estabelecem forte polêmica com Rameau, criticando-lhe as teorias musicais. A princípio Rameau é atacado por seu "italianismo"; mais tarde, por seu racionalismo. Quanto à primeira acusação, logo se verifica não ter procedência. Racionalista, no sentido de um intelectual que viveu na idade do Iluminismo, é fato que não se pode negar. Rameau é grande compositor, mas suas obras têm frieza, resultante desde seu racionalismo voltaireano.

 

Obras. Com apoio do financista Le Riche de la Pouplinière (que o apresenta a Voltaire), Rameau  até os 50 anos de idade publica novas obras para o cravo, motetes e cantatas, tendo ainda composto música para teatro. Dedica-se, então, totalmente à ópera, vendo representada sua Hyppolite et Aricie (1733), na Académie de Musique (mais tarde, Ópera de Paris), com sucesso e causando novas polêmicas devido a suas inovações quanto à harmonia, à instrumentação e à parte vocal. Famoso, Rameau é nomeado por Luis XV músico oficial; em 1764 recebe título de nobreza concedido pelo soberano. Em sua vasta obra destacam-se, além da citada, as óperas: Castor et Pollux (1737), Dardanus (1739) - triunfalmente reencenada em 1964 - e Zoroastre (1749), quando o artista está no apogeu de sua carreira.

 

Ironicamente, Rameau, que no princípio tinha sido criticado por seu "italianismo", é atacado pelos enciclopedistas, que preferem a escola italiana de música. Tem lugar a chamada "guerra dos bufões", levando o compositor, também grande teórico musical, a publicar novo livro, defendendo suas ideias: Observations sur notre instinct pour la musique (1754; Observações sobre o nosso instinto musical). Ao lado de notáveis motetes (In convertendo; Laboravi) e cantatas, Rameau compõe óperas-bailados: Les Indes galantes (1735; As Índias galantes) e Les Fêtes d´Hébé (1739; As Festas de Hebe) e comédias-bailados: Platée (1745) - todas hoje reconhecidas como obras primas e novamente representadas. Também são notáveis as citadas peças clavecinísticas.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional