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Os mais famosos compositores da linha do tempo

MILHAUD, DARIUS (1892-1974)

Última modificação : Quinta, 04 Setembro 2014 14:20


 

FRANCÊS - MÚSICA MODERNA - NEOCLASSICISMO - 426 OBRAS

 

Milhaud foi incrivelmente produtivo e, embora sua produção seja irregular em qualidade, ostenta pequenas joias, bem como peças de vasta ambição. Grande parte de sua obra é permeada pela cor e calor de sua Provence natal e por um espírito otimista que sobreviveria às críticas negativas e às décadas em que uma severa artrite o confinou à cadeira de rodas.

 

Vida. Compositor francês, Darius Milhaud (Aix-en-Provence, 04 de setembro de 1892 - Genebra, 22 de junho de 1974) estudou no Conservatoire de Paris com Dukas e d´Indy. Foi entre 1914 e 1918 secretário particular de Paul Claudel, então embaixador da França no Rio de Janeiro. Depois da primeira guerra mundial formou, em Paris, o Grupo dos Six (Seis) - formado por Georges Auric, Louis Durey, Arthur Honegger, Darius Milhaud, Francis Poulenc e Germaine Tailleferre - empenhados em criar uma música autenticamente francesa. Também foi decisivamente influenciado pelo politonalismo de Stravinsky. Em 1940 fugiu da França ocupada, sendo perseguido em razão de sua descendência judaica. Nos Estados Unidos foi professor do Mill´s College (Califórnia). Em 1945 voltou para Paris, assumindo uma cátedra no conservatório.

 

Projeção. Milhaud é compositor de extraordinária fecundidade. Escreveu 426 obras, entre elas 18 quartetos de cordas, só - disse - "para superar o número dos 17 quartetos de Beethoven". A crítica contemporânea sente dificuldade em separar, entre tantas obras, o trigo do joio. Há quem prefira obras instrumentais, como a Musique de concert, Op. 50 (1931), escrita para a Orquestra Sinfônica de Boston e por isso chamada "Sinfonia de Boston", ou o Concerto para piano, instrumentos de sopro de metal e harpas (1938). Também se elogiam muito as magistrais variações no Concerto Filarmônico (1932).

 

Outro grupo de críticos prefere as imponentes obras vocais de Milhaud. É sobretudo digno de nota o Service pour le Sabbat (1947), talvez a única obra musical moderna escrita para a liturgia judaica. De inspiração semelhante é o oratório David (1954), que foi estreado em Israel. Mas Milhaud também escreveu um Te Deum - Hymnus Ambrosianus (1946), que foi cantado na catedral Notre-Dame de Paris, e uma sinfonia coral Pacem in terris, sobre trechos da homônima encíclica do para João XXIII.

 

Óperas. A parte mais discutida e mais discutível da obra de Milhaud é a destinada ao teatro. Aos efeitos retumbantes e nem sempre muito originais parece corresponder a substância musical. São, em todo o caso, dignos de nota: Orestie (1924), com libreto de Claudel, a ópera trágica Le Pauvre matelot (1926; O Pobre marujo) e, sobretudo, Christophe Colomb (1930), outra vez com libreto de Claudel, a obra mais original de Milhaud, ao passo que Médée (1939) e Bolívar (1943) obtiveram pouco sucesso.

 

Brasiliana. Uma das melhores obras de Milhaud é o balé Le Boeuf sur le toit (1919; O Boi no telhado), em que o compositor aproveita material folclórico latino-americano. Para piano escreveu a suíte Saudades do Brasil (1921), depois orquestrada, cujos movimentos têm como títulos os nomes de bairros do Rio de Janeiro.



 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional