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Fuga - Estética e Percepções

Última modificação : Segunda, 13 Janeiro 2014 17:56


 

A fuga é uma das formas contrapontísticas mais complexas e, como tal, compositores talentosos a têm utilizado para expressar o profundo. A complexidade da fuga tem derrubado compositores menores que produziram apenas fugas banais. O filósofo Theodor Adorno, um talentoso pianista e intérprete da música de Beethoven expressou o senso de dificuldade e de falsa autenticidade da composição moderna da fuga ou de qualquer composição de fuga no contexto moderno como um anacronismo. O conservadorismo e apego histórico de Adorno não pode ser encontrado entre os compositores modernos de fugas, tais como David Diamond, Hindemith ou Shostakovich. As fugas mais clássicas que apareceram depois de Beethoven são as de Félix Mendelssohn que, quando criança, impressionou Goethe e outros com seu domínio do contraponto mostrado ao improvisar ao piano.

 

Nas palavras do musicólogo austríaco Erwin Ratz (1951, p. 259), "a técnica fugal sobrecarrega significativamente a tarefa de dar forma às ideias musicais e só foi concedido aos maiores gênios tais como Bach e Beethoven dar vida a tal forma densa e fazê-la dar à luz os mais excelsos pensamentos".

 

Ao colocar as fugas de Bach entre as maiores obras contrapontísticas, Peter Kivy (1990) indica (p. 206) que "o contraponto, desde tempos imemoriais tem sido associado na mente dos músicos à profundidade e à seriedade" e argumenta que "parece haver alguma justificativa racional para eles pensarem assim". Devido à maneira em que a fuga é frequentemente ensinada, a forma pode ser encarada como árida e repleta de exercícios técnicos exaustivos. A expressão "fuga didática" é usada para uma forma bastante restrita de fuga que foi criada para facilitar o ensino. Os trabalhos do compositor austríaco Simon Sechter, que foi professor de Franz Schubert e de Anton Bruckner, inclui vários milhares de fugas. No entanto. elas não se encontram no repertório padrão, não porque são fugas, mas devido às limitações de Sechter como músico.

 

Outros, como Alfred Mann, afirmam que a escrita de fugas, ao focar o processo composicional, de fato melhora e disciplina o compositor quanto às ideias musicais. Isto se relaciona à ideia de que as restrições acabam dando liberdade ao compositor por direcionar os seus esforços. Ele também aponta para o fato de que a escrita de uma fuga tem suas raízes na improvisação e foi, durante o Barroco, praticada como uma arte improvisatória.

 

A fuga é percebida, então, não apenas por si mesma, mas em relação à ideia da fuga e o maior dos exemplos musicais desde a Era Barroca: uma ideia musical com uma história que inclui o seu uso na música litúrgica da cristandade; um recurso para ensinar composição; uma forma favorecida por um dos maiores, senão o maior compositor da música clássica europeia; e, como uma forma que pode ser encarada como eminentemente antiga, há uma variedade de expectativas que vêm à tona quando nos referimos a qualquer peça que leve o nome de fuga.




 

 

Fonte: Wikipedia.org