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Naipes Orquestrais

Última modificação : Segunda, 06 Janeiro 2014 18:00


 

Imagine que você está sentado em uma sala de concerto, com a orquestra distribuída à sua frente. Esse "conjunto razoavelmente grande de instrumentos" não é, em absoluto, um agrupamento ao acaso. Na verdade, trata-se de uma unidade altamente organizada e equilibrada, composta de quatro naipes ou "famílias" de instrumentos:

 

Cordas - Madeiras - Metais - Percussão

 

Os instrumentos de cada naipe compartilham de certas características comuns à família. No naipe das cordas os sons são obtidos pela vibração produzida quando se passa um arco transversalmente nas cordas retesadas ou quando se dedilham as cordas também retesadas. No naipe das madeiras e no dos metais os sons são produzidos pelo sopro do executante. Os instrumentos conhecidos como madeiras são feitos, na sua maior parte, de madeira, e os metais são totalmente feitos de metal. Há, porém, uma diferença muito mais importante entre essas duas famílias de instrumentos: a maneira como os sons são realmente produzidos. Todos os instrumentos de percussão são percutidos ou agitados.

 

A localização dos naipes da orquestra na plataforma de concerto obedece a uma razão prática. Devido às características comuns a cada família, os instrumentos de cada naipe são dispostos lado a lado ou uns atrás dos outros, formando grupos de forma a proporcionar um equilíbrio e uma combinação dos variados sons e timbres. O regente precisará ouvir cada instrumento com clareza e, naturalmente, é preciso que cada instrumentista possa ver o regente.

 

 

Cordas

As cordas são a "espinha dorsal" da orquestra. Mais da metade dos membros de uma orquestra é instrumentista de cordas e portanto o som de uma orquestra completa é fundamentalmente composto de uma sólida base de som das cordas.

 

O naipe das cordas consiste em:

. Violinos - primeiros e segundos

. Violas

. Violoncelos

. Contrabaixos

. Harpa.

 

Os violinos estão divididos em dois grupos: primeiros violinos e segundos violinos. A diferença não se encontra nos instrumentos em si - exatamente idênticos - mas na música que eles tocam: os primeiros violinos geralmente tocam notas mais agudas que os segundos violinos.

 

Os violinos, violas, violoncelos e contrabaixos produzem os seus sons exatamente da mesma maneira. Eles podem ser tocados com um arco (uma vareta de madeira com crinas de cavalo retesadas ao longo da mesma), ou as cordas podem ser dedilhadas com as pontas dos dedos - efeito conhecido pelo nome de pizzicato. A harpa é sempre dedilhada. Ainda que a harpa possa ser classificada como um instrumento de corda, sua construção e a maneira como é tocada situam-na à parte dos outros integrantes do naipe das cordas.

 

Apesar de violinos, violas e violoncelos terem tamanhos diferentes, têm em comum a mesma forma básica. Os contrabaixos são ligeiramente diferentes: têm as espaldas caídas, e a sua parte posterior é plana, ao invés de abaulada como a do violino, viola e violoncelo.

 

O naipe das cordas está disposto à frente da orquestra sendo que a disposição real dos instrumentos pode variar.

 

Uma orquestra completa geralmente possui 16 primeiros violinos, 14 segundos violinos, 12 violas, 10 violoncelos e 8 contrabaixos.  Os instrumentos de som mais grave devem ser em número menor para equilibrar a massa sonora.

 

 

Madeiras

Os instrumentos de sopro conhecidos como madeiras são, como seu nome sugere, feitos basicamente de madeira, apesar de os modernos flautins e flautas serem de metal. Os sons são produzidos pelo sopro do instrumentista, que faz vibrar uma palheta, ou, no caso da flauta e do flautim, penetra no instrumento através de um orifício oval. Em qualquer dos casos, uma coluna de ar é posta em vibração dentro de um tubo oco. O comprimento da coluna de ar determina a altura da nota: quanto mais curta a coluna de ar, mais aguda será a nota e quanto mais longa, mais grave será a nota.

 

Em cada instrumento de sopro há uma série de orifícios perfurados ao longo do tubo. Estes orifícios são controlados por um sistema de chaves, molas e alavancas, algumas das quais controlam orifícios que, de outra forma, estariam fora do alcance dos dedos dos instrumentistas. Quando todos os orifícios estão fechados, o instrumento produz sua nota mais grave. Porém, quando o instrumentista abre o orifício mais baixo, deixando assim o ar escapar, o comprimento da coluna de ar em vibração torna-se menor e, ao encurtar-se um pouco a coluna de ar, uma nota mais aguda é produzida.

 

No final do século XVIII - quando Haydn estava escrevendo suas últimas sinfonias e Beethoven estava para escrever a sua primeira -, o naipe das madeiras consistia em duas flautas, dois oboés, duas clarinetas e dois fagotes. Durante o século XIX, versões maiores ou menores de cada um desses instrumentos foram sendo incorporados à orquestra, aumentando assim a extensão das notas e a variedade de timbres, de tal modo que a formação do naipe das madeiras na orquestra moderna frequentemente inclui:

 

. Flautas e Flautim

. Oboés e Corne inglês

. Clarinetas e Clarineta baixo (clarone)

. Fagotes e Contra fagotes

. E ocasionalmente saxofone.

 

Enquanto os sons produzidos pelo naipe das cordas fundem-se em um todo, os sons do naipe das madeiras são mais distintos, mais individualizados, tendendo mais ao contraste do que à fusão. No naipe das cordas, vários instrumentos do mesmo tipo tocam a mesma parte, ao passo que cada executante dos instrumentos de madeira tem sua parte individual para tocar. Muitas vezes cabem solos às madeiras. É por esse motivo que se dispõem no centro da orquestra, em um plano mais elevado que o das cordas e diretamente em frente ao regente.

 

 

Metais

Os sons do naipe de metais, assim como os das madeiras, são produzidos pelos sopros dos instrumentistas. Os instrumentos de metal são, hoje em dia, construídos de uma liga de metais, em vez de puro latão ou bronze. Cada instrumento consiste em determinada extensão de tubos, dobrados ou enrolados, para facilitar o seu manuseio pelo instrumentista. Um bocal é encaixado em uma das extremidades do tubo e a outra extremidade se alarga para formar uma campânula. A seção de metais da orquestra moderna frequentemente inclui:

 

. 4 Trompas

. 3 Trompetes (e ocasionalmente cornetas de pistões)

. 3 Trombones (2 tenores; 1 baixo ou tenor-baixo em si bemol e fá)

. Tuba.

 

O número desses instrumentistas, especialmente os trompetes e trompas, pode ser aumentado. A localização da seção de metais na plataforma de concerto é atrás e acima das cordas e madeiras.

 

O timbre de um instrumento de metal depende do tipo de bocal utilizado, do diâmetro interno do tubo e da abertura da campânula. A altura dos instrumentos depende do comprimento do seu tubo. O tubo de uma trompa é maior em comprimento do que o do trompete, portanto a trompa produz notas mais graves do que o trompete. O instrumentista coloca o bocal em contato com os lábios e sopra para fazer os lábios vibrarem - sendo a vibração dos lábios similar à vibração das palhetas duplas de um oboé ou de um fagote.

 

É importante entender que a diferença principal entre os instrumentos do naipe de metais e os do naipe de madeiras não é o material com que eles são construídos, mas a maneira como eles produzem os seus sons. Os instrumentos pertencentes ao naipe de madeiras têm orifícios ao longo do comprimento do seu tubo e seus sons são produzidos pela vibração de palhetas, ou no caso da flauta e do flautim, quando o sopro do flautista é dividido pela borda do orifício da embocadura. Cada instrumento do naipe de metais tem o seu som produzido pela vibração dos lábios do instrumentista, em várias gradações de tensão, e em contato com um bocal de metal.

 

 

Percussão

Os instrumentos de percussão são os que precisam ser agitados ou percutidos para poderem soar. Alguns desses instrumentos se situam entre os mais conhecidos, datando do início da história humana, quando eram usados para danças, rituais, envio de sinais de comunicação e guerra. Apesar disso, a seção de percussão da orquestra é a mais recente a ser estabelecida.

 

Os instrumentos de percussão podem ser divididos em dois grupos. O primeiro grupo contém os instrumentos de percussão que podem ser "afinados" - aqueles capazes de tocar uma ou mais notas com a altura definida e, portanto, possivelmente tocar uma melodia. Este tipo inclui:

 

. Tímpanos

. Glockenspiel

. Xilofone

. Celesta

. Vibrafone

. Carrilhão.

 

O segundo grupo é maior e inclui os instrumentos de percussão que "não podem ser afinados". Esses instrumentos produzem sons de altura indefinida, podendo tocar apenas ritmos. Não obstante quão coloridos e excitantes esses instrumentos soem, eles devem ser chamados, na verdade, de "fazedores de ruído":

 

. Bombo

. Caixa clara

. Caixa tenor

. Pratos

. Triângulo

. Pandeiro

. Castanholas

. Blocos de madeira

. Tantã (ou gongo)

. Chicote

. Guizos

. Maracas.

 

 

Outros instrumentos de percussão

O número e a variedade dos instrumentos que podem ser incluídos na seção de percussão são praticamente ilimitados. Outros instrumentos que podem frequentemente ser ouvidos: o chicote (dois retângulos de madeira, unidos por uma dobradiça e golpeados um contra o outro); guizos; maracas; cabaças secas, com as sementes dentro das cabaças, de modo que, quando são agitadas, as sementes chocalham; guiro: uma cabaça de bom tamanho, com entalhes - esfrega-se uma vareta de madeira contra os entalhes, ao longo da cabaça; claves: barras cilíndricas de madeira, golpeadas uma contra a outra; chocalho: similar ao tipo usado no futebol americano e inglês.

 

Essa lista também inclui, obviamente o piano - instrumento de cordas percutidas. É empregada uma grande variedade de tambores, tais como bongôs, tom-tons e matraca. No Brasil, usam-se frequentemente o agogô, a cuíca, a folha-de-flandres, o berimbau de barriga, entre outros.

 

Como a seção de percussão é que provavelmente produzirá maior volume de barulho, ela está situada no fundo e no nível mais alto da plataforma de concerto.

 

 

CONHEÇA OS INSTRUMENTOS MUSICAIS




 

 

Fonte:

Instrumentos da Orquestra, Roy Bennett