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Orquestra de Câmara

Última modificação : Quarta, 22 Julho 2015 16:57


 

Tal como a música destinada ao culto religioso se chamava “música da chiesa” e a que acompanhava as representações teatrais se designava por “música de cena”, a música composta para ser interpretada numa câmara, ou sala principal de um palácio ou de uma grande mansão, é conhecida pelo termo genérico de “música de câmara”. Este tipo de música, próprio da época em que o concerto público não era ainda um acontecimento habitual, como é nos nossos dias, requer um número reduzido de executantes, que podem estar integrados num grupo de música de câmara (um trio, um quarteto, um quinteto, etc.) ou numa orquestra de câmara que, conquanto formada por poucos elementos. exceda o noneto (nove executantes).

 

A orquestra de câmara sofreu grandes transformações ao longo da história. Atualmente, esta formação orquestral tem de se adaptar às tendências estéticas trazidas pelos compositores de vanguarda que, no desejo de encontrar novos campos de expressão, plasmam a sua ideia musical no pentagrama, criando necessidades e problemas de colorido, timbre, volume ou dinâmica que até então eram desconhecidos.

 

As grandes dificuldades que se apresentam aos compositores atuais para estrearem obras destinadas a amplas formações sinfônicas determinam quase todos eles a escrever em elevada percentagem partituras para orquestra de câmara, sem que isto, evidentemente, signifique que não componham também obras para orquestra sinfônica. As obras para orquestra de câmara têm maior número de probabilidades de serem estreadas, já que o seu custo é muito mais reduzido. Este fator econômico, à margem das motivações estéticas, contribuiu grandemente para a evolução atual da orquestra de câmara.

 

Antes de fazermos uma passagem rápida por aquilo que a orquestra de câmara foi ao longo da história, é conveniente estabelecer com clareza a diferença que existe entre esta formação orquestral e um grupo de música de câmara. A orquestra de câmara exige a participação de um regente, enquanto o grupo de música de câmara pode e deve tocar sem a sua colaboração.

 

Convém, no entanto, esclarecer que em qualquer grupo de música de câmara, mesmo que atue sem maestro, deverá haver alguém que indique os princípios ou ataques, os finais dos sinais de suspensão, a graduação dos ritardandos e accelerandos, as mudanças de tempo, etc. O que dissemos atrás refere-se apenas à execução final da obra; a preparação nos ensaios exigirá também uma pessoa que decida em que moldes se deve processar a interpretação, embora, geralmente, nos duos, trios ou formações pouco numerosas, todos os executantes dêem a sua opinião e troquem impressões até chegarem a acordo quanto à forma como deve ser interpretada.

 

Já no século IX existiam conjuntos musicais, cujo conhecimento se deve aos afrescos e baixos-relevos da época. Estas formações, que pareceriam muito estranhas aos olhos de um homem de hoje, devido ao tipo de instrumentos que as compunham, chamavam-se já orquestras, embora contassem menos de nove músicos, pois então ainda não se utilizavam as palavras duo, trio, quarteto, etc.

 

A orquestra de câmara foi sendo constituída por vários instrumentos até se ter conseguido um modelo a que se poderia chamar clássico. A maioria dos compositores do século XVIII escreveu grande número de obras destinadas ao referido modelo. No entanto, esporadicamente, estes músicos não se ajustavam ao modelo clássico e introduziam nele pequenas alterações.

 

Naquele século, predominavam as orquestras de câmara compostas principalmente por instrumentos de cordas, às quais se juntava um ou outro instrumento de madeira ou de metal - e até das duas famílias -, como fez, por exemplo, Johann Sebastian Bach nos Concertos Brandeburgueses. Convém, no entanto, chamar a atenção para o fato de, já em 1607, Monteverdi ter utilizado na sua ópera L'Orfeo uma orquestra de quase quarenta músicos.

 

Frescobaldi e Gabrielli na Itália, Schütz na Alemanha, Rameau na França, e muitos outros compositores, foram incluindo instrumentos na orquestra de câmara até se chegar ao modelo clássico que, salvo pequenas variações que eles próprios experimentaram, encontrou o seu ponto mais alto em Haydn, Mozart e até em Beethoven na sua primeira fase. Esta orquestra contava com um grupo de instrumentos de cordas em que figuram primeiros violinos e segundos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. Costumava haver também uma ou duas flautas, dois oboés, dois clarinetes, dois fagotes, duas trompas, trompetes e tímpanos.

 

Desde as orquestras que se adaptam a este esquema clássico até os conjuntos mais heterogêneos que os compositores dos nossos dias possam imaginar, há uma ampla gama de formações musicais a que, de um modo geral, se pode chamar orquestra de câmara.

 

Resumindo, quando dizemos que uma formação orquestral é uma orquestra de câmara pretendemos apenas apontar a diferença existente entre ela e uma grande orquestra sinfônica, na qual, com o passar do tempo, acabou por se converter a orquestra de câmara.

 

 

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Fonte:

aulasdemusica.org