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REQUIEM ALEMÃO, OP. 45

Última modificação : Quarta, 09 Setembro 2015 16:10



BRAHMS, JOHANNES (1833-1897)

ALEMÃO – ERA ROMÂNTICA – 135 OBRAS

 

Um Requiem Alemão, sobre palavras da Santa Escritura, Op. 45 (Ein deutsches Requiem, nach Worten der heiligen Schrift, op. 45), é uma grande obra para coral, orquestra e solistas, composto entre 1865 e 1868.

 

Composto entre 1865 e 1868, e estreado integralmente em 18 de Fevereiro de 1869 no Gewandhaus de Leipzig, o Requiem Alemão de Johannes Brahms é, no seu conjunto e apesar do nome, uma obra bem mais dramática do que religiosa. Não foi pensada para ser destinada à liturgia, nem sequer se trata de uma missa dos mortos ou de uma oração. A intenção de Brahms era sim criar um grandioso cenário musical que servisse de meditação sobre a morte. Para isso, Brahms baseou-se em fragmentos da bíblia de Martinho Lutero.

 

O Requiem católico começa com orações a favor dos mortos. Os protestantes rejeitam a ideia de rezar para um morto, porque o morto, uma vez julgado para salvação ou condenação, não pode mais ser beneficiado com orações e requiens. Por isso Brahms se direciona aos vivos e começa: "Felizes são os que choram, pois serão consolados".

 

Resumo:

I. O primeiro andamento baseia-se nas palavras de São Mateus "Bem Aventurados os que choram, porque serão consolados", e ainda no salmo "Os que semeiam entre lágrimas, com alegria ceifarão".

 

II. No segundo andamento temos três textos: "Porque toda a carne é como erva e toda a glória como a flor da erva", da 1ª epístola de São Pedro, citando Isaías; "Sede, pois, paciente e fortalecei os vossos corações porque a vinda do Senhor está próxima" da epístola de São Tiago; e, por fim, "Os remidos pelo Senhor voltarão", outra vez citação de Isaías.

 

III. No terceiro andamento, a voz do barítono surge angustiada com o salmo 38 "Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim e qual é o número dos meus dias". A resposta é dada pelo coro a partir do livro da sabedoria "Mas as almas dos justos estão na Mão de Deus e não os tocará o tormento da morte".

 

IV. O quarto andamento surge serenamente com mais um salmo cantado pelo coro: "Quão amável é a tua morada, Senhor dos Exércitos"

 

V. O quinto andamento, por sua vez, é uma comovente oração entregue à soprano. Este foi o último andamento a ser composto por Brahms - uma das suas páginas mais belas, escrita em 1865 em memória da sua mãe - falecida em fevereiro de 1865. Temos assim São João, com as palavras "Vós também estais tristes, mas eu hei de ver-vos de novo"; Isaías "Vede como uma mãe acaricia o seu filhinho, assim eu vos consolarei" e, finalmente, as palavras do livro de Ben Sira "Vede o pouco que trabalhei, e como adquiri muito descanso"

 

VI. Depois deste grande arioso expressivo, o sexto número deste requiem é como que um grande ato de fé e por isso um dos momentos mais fortes da obra. O barítono interroga com a epístola dos hebreus "Porque não temos aqui cidade permanente, mas vamos buscando a futura?". O coro responde com a 1ª epístola dos Coríntios "Eis que vos revelo um mistério: todos certamente ressuscitaremos, mas nem todos seremos mudados". Por fim, numa grandiosa dupla fuga ouvem-se as palavras do Apocalipse de São João "Tu és Digno, ó Senhor nosso Deus, de receber glória e honra e o poder"

 

VII. O sétimo andamento serve de conclusão a esta obra. Mais uma vez o texto do Apocalipse serve para o coro anunciar o repouso eterno com um grande arrebatamento sagrado de piedade serena, réplica musical e espiritual do coro inicial. O Requiem Alemão termina com as palavras "Bem-aventurados os mortos, que morrem no Senhor!"

 

Orquestração:

Soprano e barítono (solistas)

Coral a quatro vozes

 

2 flautas e piccolo

2 oboés

2 clarinetas

2 fagotes e contrafagote (contrafagotead libitum)

4 trompas francesas

2 trompetes

3 trombones

tuba

tímpanos

harpa preferidamente dobrada com duas harpas

órgão (ad libitum)

cordas

 

Existe uma versão para piano a quatro mãos feita por Brahms.

 

 

Vídeo



 

 

Fonte consultada:

rtp.pt - Antena 2