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Ciclo do Anel depois de Wagner, O

Última modificação : Sábado, 24 Janeiro 2015 18:45


 


A estreia do Anel em 1876 foi tão cara que o ciclo só seria retomado em 1896, quando Bayreuth já era dirigido pela viúva do compositor, Cosima Wagner. Após a II Guerra, seus netos Wieland e Wolfgang Wagner mudaram a história da produção do ciclo, substituindo o realismo pela abstração. Mas a montagem mais famosa desde a época de Wagner é possivelmente a dirigida por Patrice Chéreau no centenário, em 1976. Vestindo os deuses em trajes eduardianos, ele conferiu ao ciclo ressonâncias modernas. Embora certos diretores preservem a encenação wagneriana tradicional, houve novas abordagens para a obra. Um exemplo digno de nota no século XXI é Robert Wilson, que em sua montagem minimalista do Anel em Zurique e Paris valeu-se de audaciosos recursos de iluminação para explorar a escuridão como forma de esclarecimento. Uma montagem do ciclo do Anel é considerada difícil e mesmo intimidante, mas a obra vem sendo produzida com frequência cada vez maior em teatros de todo o mundo.

 

No Brasil, em 2011- A Valquíria - e 2012 - O crepúsculo dos deuses -, André Heller-Lopes criou pioneiramente o drama dos deuses wagnerianos sob a ótica da cultura brasileira com sua riqueza de influências europeias, africanas ou indígenas. Uma visão de um Brasil urbano e folclórico, de religiões e mitos variados, criada em parceria com Marcelo Marques (figurinos), Renato Theobaldo (cenários) e Fabio Retti (desenho de luz), que todavia afasta-se do risco de estereótipos redutores da brasilidade. Segundo o diretor, o primeiro brasileiro a dirigir O Crepúsculo desde a estreia da ópera em 1876, essa cultura hoje é feita de várias facetas: “somos indígenas, africanos e europeus; somos o futebol, as baianas do samba, Carmem Miranda e a ópera”. Para ele, esta mistura não é menos inventiva do que a que Wagner nos oferece em O Anel dos Nibelungos, pois é esta universalidade contida na mistura que o interessa. Com Luiz Fernando Malheiro, na direção musical e regência, e André Heller-Lopes, na concepção e direção cênica.


 

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Fontes:

. Guia Ilustrado de Ópera Zahar

. Acervo pessoal de pesquisas