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Os mais famosos compositores da linha do tempo

Guerra-Peixe

Última modificação : Segunda, 24 Março 2014 15:34


 

Na última 3a feira, dia 18 de março, o Brasil parou para comemorar um de seus maiores compositores do século XX. Ao menos, era isso que eu gostaria de estar escrevendo e muita gente tem cobrado. Em que pese a temporária omissão das orquestras e mídia em dedicar esse ano a ele e a honrar essa figura chave da nossa música, não quero usar esse espaço para reclamar, mas para celebrar.

 

Lembro-me da primeira vez que o encontrei. Ao menos, formalmente. Estava diante daquele homem, baixinho como eu, mas imenso em conhecimento, talento e obra. Nos encontramos no teste que ele aplicava para escolher seus alunos. O próximo encontro seria na sala de aula, já como um de seus discípulos. O maestro tinha uma aura e, mais que isso, uma verdade musical tão grande e natural, que a primeira vez que me perguntaram como ele era, respondi: é como estar diante da própria música.

 

Brasileiro. Sem dúvida foi um músico brasileiro e, sem soberba, participou ativamente da vida musical de nosso país. Foi violinista de orquestra, arranjador de música popular, orquestrador, compositor, professor e folclorista, não necessariamente nessa ordem. Permitiu que a música brasileira – e o próprio Brasil – passasse por sua alma e traduziu isso criando mais Brasis: ampliando o que lhe foi dado. Viveu no Petrópolis, Rio, Recife e São Paulo. E pesquisou música. Foi um dos maiores pesquisadores do Maracatu, além de pesquisar outros folclores. E um dos maiores arranjadores da música brasileira, trabalhando para rádios, festivais da canção, gravadoras. Foi também mestre de muitos músicos que atuam na música popular e na clássica (como eu!). E foi compositor. Muito!

 

Escreveu mais de 200 obras, magistralmente. Foi um dos primeiros dodecafonistas do Brasil. E, certamente, um dos principais nacionalistas. Sua escrita objetiva, e ao mesmo tempo abrangente, faz com que a gente queira ouvir sempre mais. E fique na dúvida em classificar algumas de suas obras entre popular ou erudita. Bobagem. É Música. Grandiosa, inteligente, técnica, poética, passional e brasileira. Como ele.

 

Eu o chamava de Maestro. Muitos o chamavam, brincando, de “Seu Maestro”. Os amigos o chamavam de Guerra. A família de César. E o mundo há de lembrar e celebrar, sempre, esse filho da terra, gênio da raça, César Guerra-Peixe.

 

PS. Tive a honra, por convite da pianista Midori Maeshiro, de compor uma obra em homenagem ao Maestro, para ser tocada no dia 5 de junho, em São Paulo, na Academia Paulista de Letras. Batizei a obra de “Brasileiro”.




SergioRobertoOliveira III



 

Sergio Roberto de Oliveira

Compositor

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