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Os mais famosos compositores da linha do tempo

SATIE, ERIK (1866-1925)

Última modificação : Segunda, 09 Junho 2014 17:47



FRANCÊS - ESCOLA NACIONAL FRANCESA - C.50 OBRAS

 

 

Figura excêntrica e de imensa importância na música francesa, admirado por Debussy, Ravel e John Cage, entre outros, Satie descrevia-se como um "músico medieval posto por engano no século XX". Suas primeiras peças para piano, agora consagradas, e seus últimos balés para os Ballets Russes e o Balé Sueco são parcerias magistrais entre coreógrafos, designers e figurinistas.

 

 

Éric Alfred Leslie Satie, mais conhecido como Erik Satie (Honfleur, 17 de Maio de 1866 - Paris, 01 de Julho de 1925) foi um compositor e pianista francês. Relevante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX, foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo.

 

Tornou-se popular entre os jovens compositores, que eram atraídos pelos títulos bem-humorados de suas peças, e exerceu grande influência em seus amigos, os notáveis contemporâneos Debussy e Ravel, mudando assim o curso da história da música. Foi ainda inovador por ter criado o ragtime, estilo de pré-jazz, com as estruturas minimalistas que ele propôs.

 

Nascido no distrito de Pont-l'Evêque, em Honfleur, na região da Normandia, teve dois irmãos mais novos, Olga e Conrad. Sua mãe, Jane Leslie Aston, era escocesa e morreu quando ele tinha sete anos. Seu pai, Jules Alfred Satie, francês, foi morar em Paris e Erik foi criado por seu tio boêmio Adrien Satie. Em Honfleur aprendeu piano com Gustave Vinot, discípulo de Niedermeyer e organista da igreja de Sainte-Catherine.

 

Mudou-se para a capital francesa em 1878 e com quatorze anos ingressou no Conservatório de Paris, onde foi depreciado pelos professores, sendo considerado medíocre, preguiçoso, imprestável e sem o menor senso de ridículo. Nos anos 1890, foi morar em um pequeno quarto na Rue Cortot 6, em Montmartre. Tornou-se pianista no Chat Noir, onde se apresentou ao gerente como sendo "gymnopedista", e Auberge du Clou, onde conheceu Debussy. O título Gymnopédie é tido como derivado do antigo festival grego Gymnopaedia, dedicado ao deus Apolo, onde jovens nus dançavam ao som da música de flauta e lira. No Chat Noir, aproximou-se do humorista Alphonse Allais, que o apelidou "Esotérik Satie".

 

A música de Satie era apreciada por poucos e desprezada pela maioria dos compositores e críticos musicais. Diversas fragilidades lhe eram apontadas e a mais importante delas se referia à sua deficiente formação como compositor e pianista. Dizia-se então que as suas miniaturas musicais com escalas pouco convencionais, harmonias estranhas e uma total ausência de virtuosismo instrumental eram apenas o reflexo de um compositor de fracos recursos técnicos.

 

Em 1891, influenciado pelo amigo Joseph-Aimé Péladan, ingressou na Ordem Rosacruz, uma instituição voltada para o esoterismo, e também escreveu algumas composições para as cerimônias rosacrucianas. Insatisfeito, mais tarde fundou sua própria igreja, "L'Eglise Métropolitaine d'Art de Jésus Conducteur" ("A Igreja Metropolitana de Arte e Jesus como Guia"), da qual era o único membro, e excomungava todos que discordassem dele.

 

Seu único amor foi a vizinha pintora e modelo dos pintores Renoir e Degas, Suzanne Valadon. Em 1898 deixou Montmartre e se mudou para um modesto quarto na Rue Cauchy, 22, em Arcueil, subúrbio industrial de Paris, onde morou pelo resto de sua vida. Caminhava nove quilômetros todos os dias para tocar em Montmartre.

 

Satie foi um dos precursores do minimalismo, abolindo as estruturas complexas e sofisticadas, com absoluto despojamento e simplicidade da forma. Seu primeiro exemplo foi a peça Vexations (1893), formada por 32 compassos que se repetem 840 vezes.

 

Com quase quarenta anos, surpreendeu a todos quando resolveu voltar a estudar. Em 1905 ingressou na Schola Cantorum de Paris e estudou contraponto e orquestração com Vincent d'Indy e Albert Roussel. Havia abandonado por algum tempo a vida boêmia a que se entregara com empenho — incluindo as sessões do Chat Noir, onde tocava todas as noites. Após três anos recebeu o diploma com a avaliação "très bien" (muito bom).

 

Acabou por se desinteressar das aulas e, após cerca de quinze anos sem compor, decidiu retomar a composição e regressar à vida noturna de Paris. Mas as suas peças continuaram a ser profundamente originais e discretamente subversivas, buscando inspiração num ambiente artístico estranho aos circuitos institucionais: os bares e cabarés que ele conhecia tão bem. Sua música passou a ganhar atenção a partir de 1911: Maurice Ravel chegou a levar à Sociedade Internacional de Música algumas de suas obras.

 

Quatro anos mais tarde, atraiu o interesse também de Jean Cocteau, o que o levou a produção de obras mais ambiciosas, como balés e uma cantata. O balé Parade (1917), por exemplo, foi escrito para o Ballet Russes de Serguei Diaguilev. Satie compôs a música, inovadora e original, na qual incorporou sons de máquina de escrever, sirene e tiro de pistola, e que foi objeto de escândalo. Cocteau escreveu o argumento. Seu grande amigo Pablo Picasso cuidou do cenário e do vestuário. Nesse balé apareceu pela primeira vez o termo "surrealismo", usado por Apollinaire sobre a obra, para descrever uma criação artística que explora o mundo dos sonhos e do subconsciente. A palavra "surrealismo" descreveu mais tarde todo um movimento artístico e literário que viria a surgir.

 

Sob encomenda da princesa de Polignac, escreveu em 1918 Socrate, drama sinfônico para quatro sopranos e pequena orquestra, com textos de Platão traduzidos por Victor Cousin, de uma austeridade extrema - obra-prima que marcou sua mudança de estilo e gênero.

 

Satie foi mentor do Les Six, grupo de vanguarda que reagiu contra a influência do romantismo e do impressionismo na música. Esse grupo era composto por Darius Milhaud, Arthur Honegger, Francis Poulenc, Georges Auric, Louis Durey e Germaine Tailleferre, e tinha a supervisão de Jean Cocteau. O nome era uma alusão ao Grupo dos Cinco.

 

Em 1923, foi formada a Escola de Arcueil por Henri Pawl-Pleyel, Roger Desormière, Maxime Jacob e Henri Sauguet, todos discípulos de Satie, sob supervisão do próprio compositor.

 

Satie foi o inventor da música ambiente, que ele chamava de musique d'ameublement - a música sendo usada como uma mobília, para preencher o ambiente. Segundo ele, era uma música que fizesse parte dos ruídos naturais e os levasse em conta sem se impor, que preenchesse o silêncio e que neutralizasse os ruídos da rua. Mas sua música não funcionava porque as pessoas insistiam em ficar quietas prestando atenção ao seu desempenho. Na época sua ideia pareceu uma piada. Outra coisa interessante eram as instruções de interpretação que ele anotava em suas partituras, sendo que várias de suas obras tinham títulos bizarros, como por exemplo: Sonata burocrática e Peças em forma de uma pera.

 

Sua obra influenciou a vanguarda parisiense do começo do século XX, artistas como Claude Debussy, Maurice Ravel, Francis Poulenc e Henri Sauguet.




 

 

Fontes consultadas:

wikipedia.org

Guia Ilustrado da Música Clássica Zahar