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Os mais famosos compositores da linha do tempo

NEPOMUCENO, ALBERTO (1864-1920)

Última modificação : Quarta, 18 Junho 2014 18:41



BRASIL - ESCOLAS NACIONAIS

 

(Fortaleza, 6 de julho de 1864 - Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1920)


 

Compositor, organista, pianista e regente brasileiro nascido em Fortaleza, Estado do Ceará, de características rítmicas essencialmente nacionalistas, considerado o pai da canção de câmara brasileira, tendo insistido na necessidade de utilização do idioma nacional na música de concerto, como mais uma forma de nacionalizar a linguagem musical. Desde cedo mostrou seu talento e aos 8 anos, mudou-se com a família para Recife, capital do Estado de Pernambuco.

 

Aprendeu música com o pai, o maestro e professor de violino e organista da antiga catedral, Vítor Augusto Nepomuceno. Ficou órfão aos 16 anos, tendo que trabalhar numa tipografia e dar aulas de piano para sustentar a família, mas nunca abandonou os estudos musicais e depois se tornou diretor musical do Clube Carlos Gomes (1882). Regressou à Fortaleza (1884), onde se filiou ao grupo abolicionista Centro 25 de Dezembro através de suas ligações com João Brígido e João Cordeiro. Essas suas atividades abolicionistas fizeram com que o Governo Imperial negasse uma ajuda para aperfeiçoar sua formação musical na Europa.

 

Mudou-se sem a família para o Rio de Janeiro, onde fez inúmeras apresentações e conheceu vários artistas e intelectuais de prestígio como Olavo Bilac, Aluísio de Azevedo e Machado de Assis. Foi nomeado professor de piano do Clube Beethoven e depois de uma turnê nordestina (1888), com a qual arrecadou fundos suficientes para viajar para a Europa.

 

Morou em várias capitais europeias e fez grande sucesso com seu trabalho. Estudou na Academia de Santa Cecília, em Roma, onde foi discípulo de Terziani. Depois, com bolsa de estudo do Governo Brasileiro, transferiu-se para Berlim, onde estudou no Conservatório Stern. Casou com uma alemã, com quem teve 4 filhos, conheceu vários compositores famosos da época. Regeu várias peças pelo Velho Continente e também estudou órgão em Paris.

 

Incorporou com grande estilo a tradição popular à musica erudita e divulgou o trabalho de compositores brasileiros pela Europa. Voltando ao Brasil (1895), começou a apresentar suas primeiras canções escritas em português e fez vários concertos. Neste período iniciou suas atividades pedagógicas no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro e foi convidado a dirigir a Sociedade de Concertos Populares (1896).

 

Regente da Sociedade de Concertos Populares, sua "Série Brasileira" (1888-1896) estreou em 1897 marcando um momento importante do grande nacionalismo brasileiro, pela utilização de temas do populário nacional e pelo clima brasileiro obtido na composição. Retornou à Europa (1897) e de volta ao Brasil foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Música (1902).

 

Compôs sua última peça, para piano e voz (1919), com versos de Juvenal Galeno e faleceu no Rio de Janeiro, aos 56 anos de idade. Na sua obra destacaram-se as "Valsas humorísticas para piano e orquestra" (1897), o episódio lírico "Ártemis" sobre texto de Coelho Neto (1898), um trio com piano em fá menor (1916), além de óperas, sinfonias. Foi um grande incentivador de Heitor Villa-Lobos, cuja obra deu continuidade ao seu pioneirismo.

 

Patrono da Cadeira 30 da Academia Brasileira de Música é considerado um dos mais ousados músicos da historiografia brasileira, defendendo o estudo do folclore brasileiro como meio de conhecer nossas raízes musicais e fundar nossa própria escola musical.





 

Fonte:

http://www.dec.ufcg.edu.brl