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Bidu Sayão

Última modificação : Sexta, 02 Setembro 2016 14:50



 

De um sobrado na Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro, para a conquista dos maiores palcos do mundo. Descendente de imigrantes portugueses e suíços, Balduína de Oliveira Sayão (1906-1999), mais conhecida como Bidu Sayão, se tornou um dos grandes nomes da ópera do século XX.

 

 

A primeira paixão de Bidu Sayão não foi a música, mas o teatro. Encantada com as apresentações do ator Procópio Ferreira (1898-1979), ela passou a sonhar com o palco. Mas como a família não via com bons olhos o meio teatral, precisou buscar outra alternativa para se aproximar das artes. Estudar canto lírico lhe pareceu a solução ideal: estaria praticando a interpretação em uma área mais valorizada socialmente.

No início do século XX, a ópera era uma das principais atividades artísticas, especialmente pela Temporada Lírica Oficial, que ocorria nos maiores teatros nacionais.

 

Confira aqui linda interpretação de Bidu para O Mio Babbino Caro. http://youtu.be/LNHf26uNfok

 

 

Bidu iniciou seus estudos de canto aos 13 anos, com a soprano romena Elena Theodorini (1857-1926). Logo vieram os primeiros recitais nos teatros do Rio de Janeiro, então capital federal e centro da vida cultural do país. As apresentações ganharam a imprensa, que a batizou de “Pequeno Rouxinol”. Assim seria chamada durante toda a carreira, uma imagem bem escolhida: era, de fato, uma menina pequena, mas com grande potencial vocal.

 

Confira a interpretação de Bidu Sayão para Madama Butterfly. http://youtu.be/e_3XwdpyeNo

 

 

No início da década de 1920, Bidu Sayão acompanhou Elena Theodorini numa viagem a Bucareste para se apresentar no espetáculo de gala promovido pela rainha da Romênia em homenagem ao príncipe Hiroíto, futuro imperador do Japão. De lá, estendeu a temporada europeia passando um tempo em Nice, na França, onde estudou com o tenor polonês Jean de Reszke (1850-1935). Sua estada rendeu apresentações em Paris e em Londres. Na volta ao Brasil, em 1925, Bidu conheceu o empresário italiano Walter Mocchi (1870-1955), concessionário dos teatros Municipal do Rio de Janeiro e Municipal de São Paulo. Ele passou a organizar a carreira da cantora, e pouco tempo depois estavam casados.

Com as portas da Europa abertas, sua estreia como cantora de ópera aconteceu em 1926, quando estrelou “O Barbeiro de Sevilha”, de Giacomo Rossini (1792-1868), apresentado no Teatro Constanzi, em Roma. A partir daí, sua carreira ganhou grande notoriedade mundial.

 

Ouça aqui Bidu Sayão em O Barbeiro de Sevilha: http://youtu.be/yhS6Q8hjuEc

 

 

No auge da carreira, a maior cantora lírica brasileira decidiu deixar de vez os palcos e as gravações em 1958. Não queria ser lembrada em decadência, mas sim no apogeu da glória. Somente um pedido de Villa-Lobos a fez voltar à ativa, para interpretar a suíte “Floresta do Amazonas”, em 1959. Os dois subiram juntos ao palco do Carnegie Hall, onde o público assistiu, sem saber, à última apresentação tanto da cantora quanto do maestro e compositor, que faleceu no fim daquele ano.

 

A National Academy of Recording Arts and Sciences dedicou uma placa à gravação de “Bachianas Brasileiras nº 5”, feita por Bidú Sayão e Villa-Lobos. Foi a primeira gravação de música clássica selecionada para o Hall of Fame.

 

Confira interpretação de Bidu Sayão da Bachiana Brasileira nº 5, de Heitor Villa-Lobos. http://youtu.be/bLZD0XplYrI

 

 

 

Frase BiduSayao