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ESTUDOS TRANSCEDENTAIS

Última modificação : Terça, 12 Abril 2016 15:16



FRANZ LISZT (1811-1886)

HÚNGARO – ERA ROMÂNTICA - 749 OBRAS

 

Escritos para piano solo em 1851 (= S.139), baseados na coletânea Grandes études, S.137

 

Os Estudos Transcendentais (também conhecidos por Études d'Exécution Transcendante) são uma série de 12 Estudos escritos para Piano solo por Franz Liszt entre 1826 e 1851.

 

A primeira versão desses Estudos, Étude en Douze Exercises ("Estudo em Doze Exercícios"), foi lançada em 1826, quando Liszt tinha apenas 15 anos. Em 1837, foi lançada, ao mesmo tempo, em Paris, Milão e Viena uma outra versão dos mesmos, que recebeu o nome de Douze Grandes Études. A terceira versão (a mais conhecida, gravada e executada) foi lançada em 1852 (catalogada como S139), e recebeu o nome de Estudos de Execução Transcendental, mais conhecida por Estudos Transcendentais. Foi dedicada a Carl Czerny, um dos professores de piano de Liszt ao longo de sua vida.

 

A primeira versão já era uma obra desafiadora; porém a segunda versão desta obra deu um salto assustador no nível de virtuosismo (das três versões, é a mais difícil), a ponto de Liszt reconhecer que seu nível de dificuldade era tão alto que, na versão Transcendental, resolveu facilitá-los e dedicar-se mais à musicalidade deles.

 


Essa obra é organizada e nomeada do seguinte modo:

 

Estudo Transcendental Nº1 "Preludio" - Dó Maior

Este Estudo recebe o nome "Preludio" porque é curto e serve como uma introdução aos

demais. Provavelmente Liszt os compôs com o intuito de serem executados um após o outro e este primeiro seria uma pequena introdução.

 

Estudo Transcendental Nº2 "Molto Vivace" ou "Fusées" (Fogos de Artifício) - lá menor

É um Estudo que trabalha as alternâncias das mãos, saltos, progressões. O nome "Fusées" (fogos de artifício) não foi dado por Liszt, mas sim por Feruccio Busoni, que alegou que as progressões rápidas na mão direita passam a impressão de fogos de artifício estourando.

 

Estudo Transcendental Nº3 "Paysage" (Paisagem) - Fá Maior

É geralmente considerado um dos Estudos mais expressivos e românticos desta coletânea. Como o nome sugere, a obra passa a impressão de uma paisagem bucólica pacífica e relaxante. Sua primeira sessão é tocada em poco adagio com uma indicação sempre legato e placido no começo. Apresenta constantes mudanças na dinâmica, e sua melodia é tocada geralmente em terças ou oitavas.

 

Estudo Transcendental Nº4 "Mazeppa" - ré menor

É inspirado no poema Mazeppa, de Victor Hugo, que relata o fato ocorrido com o imperador ucraniano Ivan Mazepa. Ele foi amarrado a um cavalo extremamente feroz, que logo após é solto para galopar loucamente pelas montanhas, o que resultou em vários ferimentos e condição crítica para ambos o homem e o animal. No final do poema, Mazepa sobrevive e é coroado rei.

 

Considerado um dos mais difíceis dos 12 Estudos, Mazeppa impõe um treino da técnica extremamente rigoroso e difícil. Ele requere total familiaridade com o piano, pois contém vários saltos imensos e rápidos e muitas progressões (inclusive de acordes).

 

Liszt, como de costume, indica um dedilhado muito estranho e difícil: as torrentes de terças na mão esquerda no início do tema devem ser tocadas apenas com o segundo e quarto dedos, alternando as mãos a cada dois intervalos. Isso é muito mais difícil do que o dedilhado mais usual, mas tem uma finalidade: ele imita melhor o som dos galopes por dificultar o legato e aumenta a força nesses dedos. Note que em algumas edições existe a anotação "Stacatíssimo".

 

Estudo Transcendental Nº5 "Feux Follets" (Fogos-Fátuos) - Si Bemol Maior

Feux Follets é considerado uma das obras mais difíceis já escritas para piano, e o mais difícil de todos os 12 Estudos. Ele trabalha o toque em piano e pianíssimo, as sucessões e regressões de notas dobradas nas mãos e os saltos em piano e pianíssimo. Apesar das imensas dificuldades técnicas, seu maior desafio está em conseguir fazer a peça atingir um caráter altamente misterioso (para lembrar um fogo-fátuo, figura muito parecida com um fantasma). Para isso, o pianista tem que conseguir se manter sempre na dinâmica da peça (que é quase inteira tocada em piano ou pianíssimo) e usar muito da sua intuição no que diz respeito à dinâmica.

 

Estudo Transcendental Nº6 "Vision" (Visão) - sol menor

Este Estudo pratica a extensão das mãos, movimentos opostos das mãos, notas dobradas arpejadas e tremolos.

 

A imagem visual da melodia é um funeral. Dessa forma, Liszt não só aplicou um estilo melancólico e trágico como também colocou um pouco de grandiosidade e força, a ponto de muitos a considerarem uma marcha fúnebre.

 

Estudo Transcendental Nº7 "Eroica" (Heróica) - Mi Bemol Maior

É um Estudo com rápidas regressões e oitavas.

A peça começa com algumas notas sustenizadas e escalas descendentes rápidas. O tema "heróico" então é introduzido. Ela então se torna mais caótica e explode em arpejos de oitavas. Finaliza resgatando o tema.

 

Estudo Transcendental Nº8 "Wilde Jagd" (Caça Selvagem) - dó menor

Requer resistência excepcional e elementos de técnica rigorosos. Pulsos fortes e firmes são necessários para ultrapassar as dificuldades que este Estudo impõe ao pianista.

 

A segunda versão desta peça está nos padrões da Forma-sonata, com um primeiro sujeito em dó menor, um segundo sujeito em Mi Bemol Maior e uma recapitulação do primeiro sujeito. Ela é monotemática (pois o segundo sujeito deriva do primeiro). Na versão Transcendental da peça, Liszt removeu a recapitulação do primeiro sujeito, além de outra passagem que a antecede.

 

Quando tocada no ritmo que Liszt exige ("Presto Furioso"), a peça se torna altamente formidável e agradável. Saltos abertos e graves no começo dão um caráter violento e explosivo à peça. A sessão lírica do meio envolve alguns saltos de mão esquerda difíceis que englobam duas oitavas, mas isto pode ser superado por pulsos flexíveis embora firmes. O final envolve uma sessão difícil de oitavas saltando na mão direita. A peça finaliza com uma torrente de acordes descendentes relativamente fácil.

 

Estudo Transcendental Nº9 "Ricordanza" (Souvenir/Lembrança) - Lá Bemol Maior

Há algumas áreas similares ao Estudo Op.10 Nº3 de Chopin. Esta é uma boa introdução ao estilo pianístico de Liszt.

 

Ferruccio Busoni se referiu a esta obra como "velhas e estragadas cartas de amor".

 

Estudo Transcendental Nº10 "Allegro Agitato" ou "Appassionata" - fá menor

As passagens da mão esquerda são bem difíceis, enquanto a mão direita toca a melodia mais em oitavas. Há alguns trechos onde as mãos se alternam para tocar acordes regressivos. Outras dificuldades incluem espaço limitado (as mãos estão constantemente tocando muito rápido e muito próximas umas das outras), as passagens arpejadas da mão direita e as progressões na mão direita usando apenas o polegar, o terceiro e o quarto dedo.

 

Ele está nos padrões da Forma-sonata, com um segundo grupo em mi bemol menor e uma coda explosiva. A versão de 1838 tem uma coda baseada na coda do final da Sonata Op. 57 "Appassionata" de Ludwig van Beethoven. Isto foi o que provavelmente levou Ferruccio Busoni a batizar este Estudo com o nome de "Appassionata".

 

Estudo Transcendental Nº11 "Harmonies du Soir" (Harmonias da Tarde) - Ré Bemol Maior

É um Estudo de harmonias, acordes quebrados tocados em rápida sucessão, saltos de oitavas, harmonias cromáticas, variações baseadas em encadeamento de acordes e execução num todo.

 

Como o nome sugere, esta peça foi baseada na noite, onde sinos balançam no meio da noite. A peça começa com pequenos e baixos sinos, mas uma hora explode nos sinos maiores e mais barulhentos, e finaliza com os últimos e mais baixos.

 

Nesta peça, Liszt faz experiências com Politonalidade, e os compositores Impressionistas a descrevem como "à frente do seu tempo". Ela está na Forma-sonata.

 

Estranhamente, "Harmonies du Soir" é um Estudo que foi extraído da obra "Estudo em Doze Exercícios Nº7" (o sétimo Estudo da primeira versão dos doze Estudos), que era um Estudo baseado em alternâncias de mãos. Porém, não há muitas similaridades entre as melodias.

 

Estudo Transcendental Nº12 "Chasse-neige" (Tempestade de Neve) - si bemol menor

É um Estudo para prática de tremolos, mas contém várias outras dificuldades como saltos longos e escalas cromáticas em alta velocidade, sem mencionar notas muito suaves que entram no meio de outras. A peça vai aos poucos aumentando a intensidade, e no seu clímax se encontra em alta tensão e força, mas gradualmente vai diminuindo novamente, terminando com dois acordes de si menor.

 

Ferruccio Busoni dizia que, de todas as músicas que tentaram "imitar" algo (a exemplo das Quatro Estações de Antonio Lucio Vivaldi), esta é a que melhor conseguiu fazer isso.

 

 

Foi o próprio Liszt quem deu esses nomes aos Estudo, exceto os de Nº2 e Nº10, deixando-os com o nome "Molto Vivace" e "Allegro Agitato", respectivamente. Porém Feruccio Busoni, posteriormente, deu-lhes os nomes "Fusées" e "Appassionata", o primeiro por achar que o modo como a obra progride passa a impressão de fogos de artíficio estourando lado a lado, o segundo por possuir uma coda baseada na contida no final da Sonata Opus 57 "Appassionata" de Ludwig van Beethoven.

 

 

Vídeo


 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

IMSLP/Petrucci Music Library

Wikipedia.org


Páginas consultadas em 15/04/2015