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SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA, A

Última modificação : Terça, 24 Maio 2016 14:52



 

STRAVINSKY, IGOR FEODOROVITCH (1882-1971)

RUSSO – MÚSICA MODERNA – NEOCLASSICISMO – 127 OBRAS

 

The Rite of Spring

Título alternativo: Le sacre du printemps

 

Le Sacre du printemps (A Sagração da Primavera; em russo: Весна священная; transl.: Vesna svyashchennaya), com o subtítulo de Quadros da Rússia pagã em duas partes, é um balé composto por Igor Stravinsky e coreografado originalmente por Vaslav Nijinsky. Foi escrita em 1913 e revisada em 1947. A concepção de cenografia e os figurinos foram de Nicholas Roerich. O balé foi produzido por Sergei Diaghilev para a sua companhia de Ballets Russes e estreou no Théâtre des Champs-Élysées, na capital francesa, em 29 de maio de 1913, sob regência de Pierre Monteux.

 

“A Sagração da Primavera” inovou em quase todos os aspectos possíveis da música erudita e abriu as portas do século XX para o estilo, dando origem ao modernismo da música. As novidades que a composição de Stravinsky trazia estavam na estrutura rítmica, timbrística, na forma, na harmonia, no uso de dissonância, na orquestração e, acima de tudo, na percussão acima da harmonia e da melodia. Segundo o autor, a “Sagração” era sua forma de expressar o grito pagão do medo da natureza antes do surgimento da beleza. O balé para qual a peça foi criada não tem enredo. Ambientado numa Rússia primeva, descreve um ritual em que uma jovem dança até a morte para obter a graça do deus da primavera. O balé é uma obra de êxtase selvagem, animada por ritmos poderosos e primitivos.

 

Em sua estreia, na Paris de 1913, causou furor e inaugurou com vaias – o próprio Stravinsky não conseguiu ficar no teatro, revoltado com a algazarra da plateia. Era um novo mundo para um público acostumado à música clássica melódica, que não estava preparado para absorver aquela avalanche de novidades. Para o ouvinte inexperiente, talvez “A Sagração da Primavera” ainda seja um choque vanguardista: ela nunca perdeu sua essência e continua surpreendendo o público, mesmo depois que se desligou totalmente de seu caráter de balé e passou a ser apresentado como obra sinfônica pura.

 

 

A Sagração é dividida em duas partes com as seguintes cenas: (*)


Primeira parte: Adoração da Terra ( Première Partie: L'adoration de la Terre)

Introdução

Os Áugures da Primavera: Dança dos Jovens (Les Augures Printaniers: Danses des Adolescentes)

Ritual da abdução (Jeu du Rapt)

Os Círculos da Primavera (Rondes Printanières)

Jogos das duas tribos rivais (Jeux des Cités Rivales)

Procissão do Escolhido mais velho e mais sábio [o Sábio] (Cortège du Sage)

O Beijo da Terra (O mais velho e mais sábio) [(o Sábio)](Adoration de la Terre (Le Sage))

A Dança Fora da Terra, ou A Dança da Superação da Terra (Danse de la Terre)

 

Segunda Parte: O Sacrifício Adorado (Seconde Partie: Le Sacrifice)

Introdução

O Círculo Místico das Jovens (Cercles Mystérieux des Adolescentes)

O Nomear e honrar o Escolhido (Glorification de l'Élue)

Evocação dos Ancestrais ou Espíritos ancestrais (Evocation des Ancêtres)

A realização do ritual dos Ancestrais (Action Rituelle des Ancêtres)

Dança Sacrificial (O Escolhido) (Danse Sacrale (L'Élue))

 

(*) Tradução livre para o português, seguida pelo original em francês.

 

O espetáculo é estruturalmente dividido em duas partes essenciais: a adoração da terra e o sacrifício. A orquestra é composta por 8 trompas entre 38 instrumentos de sopro. Tudo tem início com a execução de compassos de fagote, seguidos pelo princípio de uma musicalidade lituana, por um andamento sem nenhuma simetria e repleto de padrões complexos, e por um timbre raro nos instrumentos.

 

Ainda hoje sua natureza subversiva desnorteia o público, por seu teor provocativo e incivilizado. No palco desfilam cenas ancestrais e excêntricas, despertando em quem as assiste emoções aflitivas. Músicas de natureza folclórica distorcidas, uma feroz estruturação de ritmos totalmente independentes, harmonias politonais desagradáveis aos ouvidos, a rejeição drástica das frases longas, a transferência constante dos acentos rítmicos, a inebriante criação de novos timbres, são características que contribuem para o desconcerto do público. Mas também são aspectos que transformam A Sagração da Primavera em uma completa detonação de energia e vida.

 

A linguagem de Stravinsky centra-se principalmente no ritmo, totalmente destacado em sua estética, o núcleo essencial de sua obra. Ela também é caracterizada pela carência de foco e pelo declínio da narrativa, como já se prenunciava na literatura e na pintura. Da mesma forma que nestas esferas da criação, observa-se na Sagração da Primavera a renúncia ao universo da lógica e da objetividade, um reflexo do mundo moderno.

 

 

Vídeo





 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

Guia Ilustrado da Música Clássica Zahar, Jorge Zahar Editor, 5ª edição revisada de 2013

https://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Sacre_du_Printemps - página acessada em 30/06/2015

Artigo de Ana Lucia Santana em:

http://www.infoescola.com/musica/a-sagracao-da-primavera/ - página acessada em 30/06/2015


Adaptação dos textos: Elza Costa