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Musicografia Braille

Última modificação : Domingo, 08 Maio 2016 13:04



 

O Código Musical Braille (por vezes notado apenas com Braille music ou musicografia Braille), é um código Braille voltado para a notação musical.O código permite aos deficientes visuais, reconhecer a notação musical através das marcações de células com pontos em alto relevo, característicos do Braille. Permite, também, ao músico com deficiência visual ensinar, compor, interpretar e aprender através de uma notação padrão. O sistema musical Braille foi desenvolvido inicialmente por Louis Braille (1809-1852) no século XIX. É uma área do estudo da música que está focada em prover o acesso de deficientes visuais e pessoas de visão reduzida ao material musical escrito em tinta através do sistema de grafia Braille.

 

 

Como surgiu a Musicografia Braille.

Louis Braille nasceu em 04 de janeiro de 1809 em Coupvray, na França, cerca de 40 km de Paris. Seu pai, Simon-René Braille, foi um fabricante de arreios e selas. Aos três anos Louis feriu-se no olho esquerdo. A infecção que se seguiu ao ferimento alastrou-se ao olho direito, provocando cegueira total. Na tentativa de que Louis tivesse uma vida o mais normal possível, os pais e o padre da paróquia, Jacques Pallury, matricularam-no na escola local. Louis tinha enorme facilidade em aprender o que ouvia e em determinados anos foi selecionado como líder da turma. Aos 10 anos de idade, Louis ganhou uma bolsa do Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto de Jovens Cegos de Paris).

 

Em 1821, quando Louis Braille tinha somente 12 anos, Charles Barbier, capitão reformado da artilharia francesa, visitou o Instituto onde apresentou um sistema de comunicação chamado de escrita noturna, também conhecido por Serre e que mais tarde veio a ser chamado de sonografia. Tratava-se de um método de comunicação tátil que usava pontos em relevo dispostos num retângulo com seis pontos de altura por dois de largura e que tinha aplicações práticas no campo de batalha, quando era necessário ler mensagens sem usar a luz. Assim, era possível trocar ordens e informações de forma silenciosa. Usava-se uma sovela para marcar pontinhos em relevo em papelão, que então podiam ser sentidos no escuro pelos soldados.

 

A escrita noturna baseava-se numa tabela de trinta e seis quadrados, cada quadrado representando um som básico da linguagem humana. Duas fileiras com até seis pontos cada uma eram gravadas em relevo no papel. O número de pontos na primeira fileira indicava em que linha horizontal da tabela de sons vocálicos se encontrava o som desejado, e o número de pontos na segunda fileira designava o som correto naquela linha. Esta ideia de usar um código para representar palavras em forma fonética foi introduzida no Instituto.

 

Louis Braille dedicou-se de forma entusiasmada ao método e passou a efetuar algumas melhorias. Assim, nos dois anos seguintes, Braille esforçou-se em simplificar o código. Por fim desenvolveu um método eficiente e elegante que se baseava numa célula de apenas três pontos de altura por dois de largura. Braille, em seguida, melhorou o seu próprio sistema, incluindo a notação numérica e musical.

 

Em 1824, com apenas 15 anos, Louis Braille terminou o seu sistema de células com seis pontos. Pouco depois, ele mesmo começou a ensinar no Instituto e, em 1829, publicou seu método exclusivo de comunicação, que hoje tem seu nome. Exceto algumas pequenas melhorias, o sistema permanece basicamente o mesmo até hoje.

 

O esquema para a Leitura de Musicografia é a mesma do braille: são seis pontos em relevo que podem formar 64 combinações diferentes, que são utilizadas para designar todos os símbolos em nosso dia a dia: letras, números, notação musical, símbolos matemáticos, etc.

 

 

O Sistema Braille no Brasil.

Em 1854, o sistema foi adotado pelo Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atual instituto Benjamin Constant, sendo a primeira instituição da América latina a utilizá-lo. Em 1929, o Brasil adotou o Código Internacional de Musicografia Braille. Devido à reforma ortográfica da língua portuguesa de 1942, o sistema sofreu adaptação para o português. Entre 1942 e 1963 houve várias tentativas de criar abreviaturas e contrações. Caíram em desuso em prol da unificação internacional do sistema. Em 1994, tivemos a adoção de uma tabela unificada para a informática. A União Brasileira de Cegos criou a Comissão Brasileira de Braille, formada por cinco membros, em 1995. Foi instituída no Ministério da Educação em 1999, vinculada à Secretaria da Educação Especial, a Comissão Brasileira de Braille. Favorecendo a troca de material entre Comissões de outros países.

 

Desde 2004 no Brasil, o Novo Manual Internacional de Musicografia Braille, obra de referência para os interessados no tema, está disponível gratuitamente no site do Ministério da Educação. Este material é a tradução do manual espanhol Nuevo Manual Internacional de Musicografia Braille. Há materiais específicos, como o reglete, a máquina de escrever braile, a impressora Braille e os softwares Musibraille para a transcrição de partituras, e até métodos criados depois de anos de pesquisa por professores de música especialistas na área.

 

Com a criação do software Musibraille, e com os professores bem instruídos em Braille avançado e conhecimento musical pleno, os profissionais podem interagir com seus alunos de forma simples, enquanto escrevem o texto musical em Braille. O professor, imediatamente, visualiza o que eles estão escrevendo em uma pauta musical abaixo do que seus alunos escrevem. Por meio dessas opções, os alunos com deficiência visual poderão alcançar o mesmo desenvolvimento intelectual perspectivo e musical dos alunos com visão normal, pois eles são capazes de construir suas conexões partindo do reconhecimento do mundo que os cerca.

 

 

 

LINKS RELACIONADOS:

Projeto DOSVOX da UFRJ

http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/

Novo Manual Internacional de Musicografia Braille - site do MEC

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/musicabraile.pdf

Musibraille - conversor de partituras

http://www.intervox.nce.ufrj.br/musibraille/

 

 



FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

Artigo de Silvane Zanovello, Revista da CAEM No Tom, Ano 9 - nº 49 (2015) - Páginas 24 e 25.

Wikipedia.org

https://pt.wikipedia.org/wiki/Musicografia_Braille - página acessada em 01/07/0215

Adaptações dos textos: Elza Costa