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CRIATURAS DE PROMETHEUS, OP. 43

Última modificação : Quinta, 08 Setembro 2016 14:24


 

 

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770 – 1827)

ALEMÃO – ERA CLÁSSICA –398 OBRAS

 

Die Geschöpfe des Prometheus (ballet)

 

Número de catálogo: Op.43

 

Movimentos: 18 partes, 2 atos:

Overture – Adagio – Allegro molto e con brio – attacca:

Introduction (La Tempesta). Allegro non troppo – attacca: (Dó maior)

1. Poco Adagio – Allegro con brio – Poco Adagio – Allegro con brio (Dó maior)

2. Adagio – Allegro con brio (Fá maior)

3. Allegro vivace (Fá maior)

4. Maestoso – Andante (Ré maior)

5. Adagio – Andante quasi Allegretto (Si maior)

6. Un poco Adagio – Allegro – attacca: (Sol maior)

7. Grave – attacca: (Sol maior)

8. Marcia. Allegro con brio – Presto (Ré maior)

9. Adagio – Adagio – Allegro molto (Mi maior)

10. Pastorale. Allegro (Dó maior)

11. Coro di Gioja. Andante – attacca: (Dó maior)

12. Solo di Gioja. Maestoso – Adagio – Allegro (Dó maior)

13. Terzettino - Grotteschi. Allegro – Comodo – Coda (Ré maior)

14. Solo della Signora Cassentini. Andante – Adagio – Allegro – Allegretto (Fá maior)

15. Coro (e) Solo di Vigano. Andantino – Adagio – Allegro (Si maior)

16. Finale. Allegretto – Allegro molto – Presto (Mi maior)

 

Ano da composição: 1800/1801

Primeira publicação: Junho de 1801 - Viena: Artaria, arranjo para piano, com o número de Opus 24

Dedicatória: Maria Christiane Fürstin von Lichnowsky (para o arranjo de piano)

Estilo: Clássico

 

Instrumentação para orquestra:

2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, tímpanos, cordas.

 

 

O percurso da Primeira Sinfonia para a Segunda Sinfonia não é direto, mas passa pelo Prometheus, um balé que Beethoven escreveu no inverno de 1800-1801 para o mestre italiano de balé Salvatore Viganò, que o estreou no dia 21 de março de 1801 no Hofburgtheater. Embora a música seja bastante atraente, a importância da obra reside em suas qualidades dramáticas. Ela mostra que Beethoven aceita a opinião corrente de que a música para balé deveria ser concebida primordialmente para entretenimento, e que deveria ser mais fácil e mais leve do que a música destinada às salas de concerto. Somente mais tarde, ao escrever a música incidental para Coriolano e para Egmont, ele optaria pelos modos mais sérios de expressão exigidos pela música para o drama falado, que significava muito mais para ele do que o balé. Ainda assim, Prometheus é interessante justamente por seus efeitos especiais e suas limitações: mostra Beethoven explorando instrumentos e efeitos orquestrais que jamais apareceriam em suas sinfonias ou aberturas dramáticas sérias.

 

O que o balé Prometheus significou para seus contemporâneos precisa ser considerado, até onde pudermos reconstituí-lo a partir de escassas evidências. A obra, cujo título completo é As Criaturas de Prometheus, foi classificada como "um balé alegórico mitológico". O protagonista é o titã Prometeu, retratado aqui não como uma vítima sofredora, mas em seu papel mais benigno, o de criador da civilização humana. Prometeu literalmente gera a humanidade ao dar vida a duas estátuas de argila, um homem e uma mulher. Prometeu se desespera com as criaturas mudas e planeja iluminá-las, expondo-as "às artes sublimes e às ciências".

 

No programa original, Prometheus foi chamado de "balé heroico, alegórico". O termo "heroico", como é usado aqui, tem sido atribuído à utilização que Beethoven fez do material do finale do balé no finale da Eroica, de modo que a identidade entre o tema do balé e o finale da sinfonia parece ter estendido a alegoria a ambos. Esse Prometeu é apresentado mais como um filósofo do Iluminismo e como um mestre que traz a razão e o conhecimento para "criaturas" ignorantes e iletradas - os nobres de Rousseau na encenação do balé -, homens e mulheres num estágio pré-civilizado, pré-letrado.

 

Por trás da obra de Viganò há um subtexto mais contemporâneo. Em 1800, Napoleão Bonaparte era o assunto na Europa. Herói militar, ficara famoso por suas iluminadas vitórias em Toulon e na Itália, onde, aos 25 anos, havia se tornado o comandante do exército francês. É possível que a decisão de Beethoven de usar o finale de Prometheus no quarto movimento de sua Terceira Sinfonia, que não só foi dedicada a Bonaparte, mas pretendia levar seu nome, refletisse sua percepção da conexão entre Prometeu, o libertador mitológico da humanidade, e Napoleão, um herói moderno. Essa possibilidade não é enfraquecida pelo caminho indireto traçado do Prometheus até a Eroica através das Variações para Piano, Opus 35, que, por sua vez, estabelece a base para suas primeiras ideias concretas para a sinfonia.

 

 

Vídeos:


Prometheus

 

Eroica | Finale



 

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

Beethoven, A Música e a Vida, Lewis Lockwood - 1ª Edição, novembro de 2004, F-QM Editores Associados Ltda.


IMSLP/Petrucci Music Library

Página acessada em 01/10/2015