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ORATÓRIO DE NATAL, BWV 248

Última modificação : Quarta, 25 Dezembro 2019 11:41



 

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

ALEMÃO – ERA BARROCA - 972 OBRAS

 

Weihnachts-Oratorium, BWV 248

 

 

Nº de catálogo: BWV 248

 

Movimentos/Partes: 6 partes/dias, com 64 peças no total:

I. Jauchzet, frohlocket, auf, preiset die Tage (Cantata for Christmas Day)

Cantata para o dia de Natal

II. Und es waren Hirten in derselben Gegend (Cantata for the 2nd Day of Christmas)

Cantata para o segundo dia do Natal

III. Herrscher des Himmels, erhöre das Lallen (Cantata for the 3rd Day of Christmas)

Cantata para o terceiro dia do Natal

IV. Fallt mit Danken, fallt mit Loben (Cantata for New Year's Day/Feast of the Circumcision)

Cantata para o Ano Novo/Festa da Circuncisão

V. Ehre sei dir, Gott, gesungen (Cantata for the Sunday after New Year)

Cantata para o domingo após o Ano Novo

VI. Herr, wenn die stolzen Feinde schnauben (Cantata for the Feast of Epiphany)

Cantata para a festa da Epifania.

 

Ano da composição: 1733 - 1734

Primeira publicação: 1856 (Bach Gesellschaft Ausgabe)

Libretista: Picander (= Christian Friedrich Henrici, 1700–1764)

Idioma: Alemão

Duração média: 155 minutos (ao longo de 6 dias)

Estilo: Barroco

Instrumentação: vozes, coro e orquestra

A instrumentação varia por dia

Solistas vocais: soprano, alto, tenor e baixo

Coro misto: SATB

Orquestra: 2 flautas, 2 oboés (também oboés d'amore), 3 trompetes, tímpanos, cordas, baixo contínuo (com órgão).

 

Primeiras apresentações:

25 de dezembro de 1734: Parte I - de manhã, na Igreja de São Nicolau; à tarde, na Igreja de São Tomás

26 de dezembro de 1734: Parte II - de manhã, na Igreja de São Nicolau; à tarde, na Igreja de São Tomás

27 de dezembro de 1734: Parte III - de manhã, na Igreja de São Nicolau

1º de janeiro de 1735: Parte IV - de manhã, na Igreja de São Tomás; à tarde, na Igreja de São Nicolau

2 de janeiro de 1735: Parte V - de manhã, na Igreja de São Nicolau

6 de janeiro de 1735: Parte VI - de manhã, na Igreja de São Tomás; à tarde, na Igreja de São Nicolau.


 

Trata-se de uma das peças mais queridas e mais executadas de Bach. E sua popularidade continua crescendo a cada dia. Apesar disso, também há aqueles que depreciam o Oratório de Natal: são os que reduzem a obra a algumas de suas origens, ou seja, às cantatas em homenagem a príncipes barrocos. Nesse particular, a grandiosidade de Bach revela-se mais uma vez: ele assumia cada tarefa que lhe era solicitada com amor, dedicação e diligência. Para Bach não havia grande diferença entre a música para as festividades de aniversário de uma princesa e a música que fala do nascimento de Jesus.

 

A obra, composta de seis partes que Bach apresentou nos dias 24, 25 e 26 de dezembro, na festa de Ano Novo, no domingo subsequente ao Ano Novo e no Dia de Reis, exige hoje maior predisposição do ouvinte para a reflexão, mas propicia aos intérpretes e à audiência maior prazer musical. Em Leipzig, Bach simplesmente não teve a oportunidade de apresentar o Oratório num único concerto.

 

Na história da música sacra, a história no Natal nunca chegou a atingir a importância da história da Paixão. No século XVII, contudo, surgiram algumas representações musicais da história do Natal, a mais importante delas sendo uma de Heinrich Schütz, no ano de 1660.

 

Comparado à cantata, o oratório é uma forma mais evoluída. Nele há personagens individuais, oradores individuais, grupos de pessoas que falam por meio de coros, o recitativo secco para o relato e os coros e corais, que tem a função de refletir sobre passagens e episódios. O texto que serviu de base ao Oratório de Natal de Bach foi escrito provavelmente por Picander, que residia em Leipzig e estava sempre pronto a atender aos pedidos de Bach para libretos.

 

Sobretudo as árias e coros de contemplação tiveram de ser adaptados. A partitura original de Bach, datada de 1734, foi preservada, além de cópias para vozes em quinze diferentes caligrafias, conforme constatou Günter Jena. Essas cópias foram rigorosamente corrigidas por Bach. Tudo isso foi herdado por Carl Philipp Emanuel, que também nunca chegou a apresentar essa obra. Saída das mãos de Carl Philipp, as cópias chegaram a Zelter, em Berlim, depois à Biblioteca Real da Prússia e, finalmente, à Biblioteca Estadual de Berlim.

 

Quando Bach se voltou para a composição e a encenação do oratório, ele já sabia que queria criar uma grande obra para o Natal. E sabia também que teria de apresentar a obra em partes, em seis feriados diferentes em 1734, em Leipzig. Bach reuniu as partes da obra na forma de um oratório e deu-lhe o título de Oratório musicado para o Santo Natal nas duas igrejas principais de Lepzig. Anno 1734. As duas cantatas profanas que foram parodiadas, ambas em 1733, são conhecidas: uma cantada de homenagem e outra de cumprimentos. Uma comparação entre essas cantatas e a partitura do Oratório de Natal revela como o compositor alterou, corrigiu e adaptou a música cuidadosamente ao texto, bem como a maneira como inseriu no conjunto as partes que foram compostas exclusivamente para o oratório.

 

É bem possível que, ao aceitar a encomenda para as duas cantatas no final do outono de 1733, Bach já pensasse em parodiá-las, ou então já tivesse em mente a composição de um oratório para o Natal. De qualquer forma, Picander teve tempo suficiente para trabalhar o libreto. E Bach deve ter concebido seu Oratório de Natal paralelamente às outras duas cantatas. A conclusão do oratório aconteceu provavelmente no tranquilo mês de dezembro de 1734, pouco tempo antes da apresentação, já que durante o período de penitência do Advento o compositor não tinha o compromisso de apresentar cantatas.

 

A história da paixão fala de conflitos e lutas, sofrimento, descaminhos e precipícios que ameaçam a alma. As cantatas falam da luta cotidiana do homem cristão e podem ser consideradas música existencial em sentido amplo. A história do Natal trata de esperança e alegria: o Oratório de Natal representa luz, brilho, calor. A unidade e a coesão da composição são impressionantes, embora extensas partes dela sejam paródias.

 

A primeira e a terceira partes tem uma enorme força radiante, obtida pelo emprego de tímpanos e trompetes. Em ambas as partes ressoa uma música festiva; nelas reina um estrondoso júbilo. A segunda parte é marcada pela contemplação dos pastores e por uma paz profunda. Aqui tem sua vez os instrumentos de madeira, flautas e oboés. Ao final da terceira parte, "os pastores retornam" e o coro canta mais uma vez: "Senhor do Céu, atendei nossa súplica". A quarta parte, apresentada no dia de Ano Novo, é menos dramática e muito mais um louvor ao Jesus recém nascido e uma reflexão sobre ele. As partes 5 e 6, apresentadas no domingo seguinte ao Ano Novo e na Epifania, o Dia de Reis, falam dos três sábios que vem do Oriente. A sexta parte, assim como o coro de abertura, festeja o Cristo vencedor. Particularmente nessas duas últimas partes, Bach afasta-se um pouco do texto do Evangelho previsto para o sermão e a cantata e não menciona a fuga para o Egito. Com isso ele dá relevo mais uma vez ao fluxo da narrativa e realça o caráter do oratório.

 

 

Vídeo


 

 

 

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

. 48 Variações sobre Bach, Franz Rueb, Companhia das Letras, 2001, tradução João Azenha

. IMSLP / Petrucci Music Library

Página acessada em 24/12/2015